Flávio Dino cobra explicações sobre sessão virtual da ADPF 442
O pedido a Edson Fachin busca esclarecer os procedimentos da sessão de 17 de outubro de 2025, que incluiu o voto de Luís Roberto Barroso.
Redação ·
O ministro Flávio Dino pediu esclarecimentos sobre como o Supremo Tribunal Federal (STF) organizou uma sessão virtual extraordinária ligada à ADPF 442, ação que discute a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. A solicitação, feita em 4 de novembro, foi encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, e antecede a análise de pedidos para invalidar votos de Luís Roberto Barroso e Rosa Weber.
Por enquanto, não houve decisão sobre a validade dos votos. Dino quer que a Presidência do STF esclareça quais atos administrativos e processuais levaram à sessão e à inclusão do caso na pauta. O sistema do tribunal registrou a sessão de 17 de outubro de 2025 sob a sigla “RW”, referência a Rosa Weber, que já havia deixado o Supremo em 2023. O relator apontou a necessidade de entender como isso ocorreu.
O que as entidades contestam
A União dos Juristas Católicos de São Paulo (UJUCASP) e o Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) questionam a realização da sessão às vésperas da aposentadoria de Barroso. Para as entidades, o procedimento teria permitido que o ministro registrasse seu voto antes de deixar o cargo e limitado a participação de seu sucessor.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também contesta a tramitação. A entidade argumenta que Barroso, que não era o relator da ação, não poderia convocar a sessão extraordinária. Sobre Rosa Weber, a CNBB afirma que o voto foi disponibilizado depois de um pedido de destaque, que levou o julgamento para análise presencial.
Esses pontos são alegações apresentadas pelas entidades, não conclusões do STF. O pedido de informações de Dino serve para reunir elementos antes de examinar as contestações.
O que está em jogo na ação
A ADPF 442 foi apresentada pelo PSOL e questiona trechos do Código Penal que criminalizam o aborto provocado pela gestante ou realizado com seu consentimento. O partido pede que a interrupção voluntária da gravidez deixe de ser crime nas primeiras 12 semanas.
Rosa Weber votou a favor da descriminalização em 2023. Barroso também se manifestou nesse sentido na sessão virtual extraordinária de outubro de 2025. O julgamento foi interrompido após um pedido de destaque de Gilmar Mendes, que transferiu a discussão para o plenário presencial.
A etapa aberta agora trata da regularidade desses atos processuais, não do resultado final da ação. A eventual anulação dos votos ainda depende de análise do STF.
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- https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/dino-pede-informacoes-para-avaliar-anulacao-de-votos-de-barroso-e-rosa-weber-sobre-aborto/
- https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/11/04/dino-pede-informacoes-a-fachin-para-analisar-pedidos-para-anular-votos-de-barroso-e-rosa-weber-em-julgamento-sobre-aborto.ghtml
- https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/ministro-barroso-vota-pela-descriminalizacao-do-aborto-ate-12-semanas-de-gestacao/
- https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/relatora-vota-pela-descriminalizacao-do-aborto-ate-12-semanas-de-gestacao-julgamento-e-suspenso/