Autoria não identificada encerra apuração sobre grupo Passarinho Verde no Telegram

Autoria não identificada encerra apuração sobre grupo Passarinho Verde no Telegram

Edson Fachin acolheu pedido da PGR na Petição 11.373, mas a investigação poderá ser retomada se surgirem novas provas.

Redação ·

A investigação sobre mensagens antissemitas e ameaças publicadas no grupo “Passarinho Verde”, no Telegram, foi encerrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 29 de outubro. O ministro Edson Fachin acolheu o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) porque as diligências não conseguiram identificar quem publicou o conteúdo. O arquivamento não impede que o caso volte a ser investigado se aparecerem novas provas.

O que faltou para avançar

O procedimento, registrado como Petição 11.373, apurava publicações com apologia a crimes de racismo contra judeus e ameaças à vida de ministros do STF. Os fatos investigados estavam documentados, mas, segundo a avaliação apresentada à Corte, não havia elementos suficientes para atribuir as mensagens a pessoas determinadas.

A dificuldade passou pela identificação dos usuários. O Telegram informou que precisaria do número de telefone associado às contas para tentar localizar dados como o endereço IP. Sem esse ponto de partida, a Polícia Federal não conseguiu obter informações que levassem aos responsáveis. A plataforma havia bloqueado o grupo em 2022, segundo o relato da investigação.

A PGR avaliou que não havia diligências úteis restantes e pediu o encerramento em manifestação apresentada em 14 de setembro de 2026. Fachin seguiu esse entendimento e determinou também o fim do sigilo do procedimento.

Arquivamento não é declaração de que nada aconteceu

O efeito da decisão é mais específico do que uma absolvição. Não havia, nessa apuração, investigados identificados para serem julgados; o obstáculo apontado foi a falta de elementos capazes de estabelecer a autoria. Por isso, o encerramento não equivale a dizer que as mensagens não existiram ou que seu conteúdo era permitido.

A decisão usa a possibilidade prevista no artigo 18 do Código de Processo Penal: se surgirem novas provas, a investigação pode ser reaberta. Em termos práticos, o caso fica encerrado com as informações disponíveis agora, mas não necessariamente de forma definitiva diante de evidências novas.

Um caso dentro de uma série de arquivamentos

A Petição 11.373 está entre procedimentos ligados ao inquérito das fake news, instaurado em 2019. No mesmo dia, Fachin determinou o arquivamento de outras quatro investigações relacionadas ao inquérito, após pedidos da PGR. Os motivos variaram entre os casos, incluindo falta de provas, prescrição e existência de apuração anterior sobre os mesmos fatos. Portanto, a decisão sobre o Telegram é uma peça de um conjunto, não uma regra geral para todas as investigações envolvendo plataformas.

Também não foi anunciada multa, bloqueio ou uma obrigação nova para o Telegram. A decisão trata daquele procedimento específico e da impossibilidade de avançar na identificação dos autores com os elementos disponíveis. Ela não estabelece, por si só, uma conclusão ampla sobre a responsabilidade de aplicativos de mensagens em outros casos.

O ponto central fica na diferença entre registrar a existência de conteúdo criminoso e conseguir provar quem o publicou. Sem essa ligação entre a mensagem e uma pessoa identificável, a investigação não tinha base para seguir adiante. Se aparecerem dados ou pistas novas, a ressalva prevista na lei permite que o caso seja retomado.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.mobiletime.com.br/noticias/29/10/2026/stf-arquiva-investigacao/
  2. https://arq.migalhas.com.br/arquivos/2026/10/2f213a42_downloadpeca-4.pdf
  3. https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/justica/audio/2026-10/fachin-arquiva-cinco-investigacoes-ligadas-ao-inquerito-das-fake-news
  4. https://www.migalhas.com.br/quentes/467492/stf-fachin-arquiva-mais-5-acoes-ligadas-ao-inquerito-das-fake-news
  5. https://www.jota.info/stf/do-supremo/fachin-e-moraes-arquivam-mais-5-investigacoes-relacionadas-ao-inquerito-das-fake-news