Advogado diz que encontro com Tarcísio não tratou de viagem de Flávio aos EUA
Tracy Reinaldet afirma que o grupo esperava entregar os passaportes na terça-feira, 27 de outubro, antes de saber que o senador havia deixado o Brasil.
Redação ·
O advogado Tracy Reinaldet afirma que Flávio Bolsonaro não comentou qualquer plano de deixar o Brasil durante uma reunião com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o senador eleito Guilherme Derrite, realizada na segunda-feira, 26 de outubro. Segundo o defensor, o grupo combinou que os passaportes do senador seriam entregues à Polícia Federal no dia seguinte. A viagem aos Estados Unidos foi conhecida pelos participantes depois do encontro, disse ele em entrevista nesta quarta-feira, 28.
A declaração ajuda a esclarecer o que aliados e advogados de Flávio sabiam antes de sua saída do país, mas não explica por que o senador viajou nem resolve a controvérsia sobre o cumprimento de uma ordem judicial. A reportagem da Gazeta do Povo informa que Flávio desembarcou em Miami com a família. Já a justificativa para a viagem não foi apresentada por Reinaldet, que disse ainda precisar conversar com o cliente.
O que foi discutido na reunião
O encontro ocorreu após Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, determinar medidas cautelares relacionadas a uma investigação. Entre elas, segundo a reportagem, estavam a entrega dos passaportes e a proibição de Flávio deixar o Brasil. Reinaldet afirma que a orientação acordada com o senador era entregar os documentos na terça-feira, 27, mas isso não aconteceu.
Além de Flávio, Tarcísio e Derrite, teria participado a advogada Maria Claudia Bucchianeri, que atua em assuntos eleitorais do senador. Reinaldet disse que a possibilidade de saída do país não foi levantada na conversa. A informação é um relato do advogado sobre o que ocorreu no encontro; não equivale a uma confirmação independente de todos os participantes.
A contestação da defesa
Reinaldet considera que a suspeita investigada poderia ser enfrentada nos autos com documentos bancários. De acordo com o advogado, o inquérito examinava uma possível ligação financeira entre Flávio e a empresa Alcazar, de propriedade de Willer Tomaz. Ele diz que o Santander informou à investigação que Flávio não era titular da conta apontada e que os extratos juntados ao processo não mostrariam transferências para o senador.
Essa é a interpretação da defesa, não uma decisão judicial sobre o mérito da investigação. A apuração também envolve informações obtidas em outro procedimento e a relação de Flávio com Tomaz, que, segundo o relato publicado, é descrita pelo advogado como amizade. As alegações ainda precisam ser avaliadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.
Como a ordem chegou ao Supremo
O advogado também questiona o caminho usado para levar o caso ao STF. Na versão dele, como Flávio tem foro por prerrogativa de função, o delegado deveria ter solicitado que o juízo federal remetesse o procedimento à Corte. Reinaldet afirma que houve um pedido direto ao Supremo e que o presidente do tribunal, Edson Fachin, pediu explicações sobre a tramitação.
Ele sustenta ainda que a distribuição deveria ter considerado uma conexão com a operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS, em vez de seguir por sorteio. São argumentos da defesa sobre procedimento e competência; o material disponível não permite tratá-los como irregularidades reconhecidas pelo tribunal.
O que se sabe sobre a viagem
A reportagem descreve um trajeto que teria passado por Foz do Iguaçu e pela Argentina antes de seguir para os Estados Unidos. Flávio, a esposa e as duas filhas foram vistos desembarcando em Miami, segundo o texto. Em paralelo, reportagens de outros veículos apontaram que a Polícia Federal apurava a saída do senador, enquanto notícias sobre o possível destino circularam com base em relatos de fontes.
O ponto central agora é distinguir três questões: a decisão judicial, o que a defesa afirma ter combinado com Flávio e o que ocorreu depois. A declaração de Reinaldet esclarece apenas o primeiro momento — a reunião de segunda-feira. A apuração sobre a viagem e os questionamentos jurídicos seguem sem que a versão do advogado, por si só, encerre o caso.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/republica/flavio-esteve-com-tarcisio-e-derrite-na-vespera-e-nao-mencionou-saida-do-pais-diz-advogado/
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/en/politica/noticia/2026-10/flavio-bolsonaro-fled-us-reuters-reports
- https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/27/agencia-de-noticias-diz-que-flavio-bolsonaro-esta-a-caminho-dos-eua-segundo-fontes-anonimas.ghtml
- https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/10/27/flavio-bolsonaro-nao-entrega-os-passaportes-a-policia-federal-no-prazo-determinado-por-moraes.ghtml