Wolbachia reforça a prevenção em Balneário Camboriú, mas efeito ainda será medido
A cidade liberou mosquitos em quatro áreas durante 26 semanas; a avaliação do impacto da estratégia deve levar de dois a três anos.
Redação ·
Balneário Camboriú registrou 12 casos de dengue entre janeiro e setembro de 2026, segundo os dados divulgados pelo município em 24 de outubro. O número fica muito abaixo dos 724 casos contabilizados em 2025 e dos 7.106 registrados em 2024. A melhora ocorre após a cidade combinar vigilância de focos, vacinação e a liberação de mosquitos com a bactéria Wolbachia — mas ainda não é possível atribuir a queda a uma única medida.
Uma mudança expressiva nos registros
A comparação com 2024 representa redução de aproximadamente 99,8%; frente a 2025, a queda chega a cerca de 98,3%. Os números descrevem uma reversão importante depois de dois anos com alta circulação da doença, mas não significam que o risco tenha desaparecido. Em outubro, equipes municipais ainda identificaram larvas de Aedes aegypti em um imóvel no bairro Praia dos Amores.
Um boletim municipal anterior ajuda a dimensionar a tendência, embora use um período menor: entre janeiro e março de 2026, a cidade contabilizou cinco casos confirmados, contra 92 no mesmo intervalo de 2025. A série não deve ser confundida com o balanço de janeiro a setembro, mas aponta que a redução já era observada no começo do ano.
Como funciona a estratégia dos Wolbitos
Balneário Camboriú iniciou as liberações em agosto de 2025. Durante 26 semanas, equipes fizeram duas solturas semanais em quatro áreas da cidade, somando 52 ações. Os mosquitos, apelidados de Wolbitos, carregam a bactéria Wolbachia, que pode dificultar a multiplicação de vírus como dengue, zika e chikungunya dentro do inseto.
A proposta é que os mosquitos liberados se reproduzam com os da população local e transmitam a bactéria às gerações seguintes. A técnica não altera geneticamente o mosquito e não elimina a espécie: busca reduzir sua capacidade de transmitir certos vírus. O método é apresentado como complemento, não substituto, da eliminação de recipientes com água parada e das demais ações de controle.
O que os dados ainda não demonstram
A Prefeitura prevê que a avaliação específica do efeito da Wolbachia leve de dois a três anos após o fim das liberações. Até lá, a redução dos registros não permite separar quanto veio dessa tecnologia e quanto pode estar relacionado a outros fatores, como condições climáticas, circulação dos vírus, vigilância e medidas comunitárias.
Essa cautela é importante para interpretar o resultado sem criar a impressão de que uma única intervenção resolveu o problema. A experiência de Santa Catarina integra uma iniciativa conduzida com participação da Fiocruz e do Ministério da Saúde, que também alcança Joinville e Blumenau. O acompanhamento da presença da bactéria nos mosquitos locais é parte do caminho para avaliar a implantação.
Prevenção segue necessária
A Vigilância Ambiental mantém inspeções e orientação aos moradores, além de ações com inseticida em áreas onde há casos. A fiscalização de terrenos também pode encaminhar limpeza de locais que ofereçam risco sanitário. Essas tarefas continuam relevantes porque o mosquito permanece presente, mesmo quando os registros de doença diminuem.
A vacinação é outra frente: conforme o balanço municipal, 3.045 crianças e adolescentes de 10 a 16 anos receberam a primeira dose da Qdenga, e 1.357 completaram o esquema com a segunda. Para os moradores, a mensagem prática é que a queda é positiva, mas não dispensa cuidados domésticos nem acompanhamento dos alertas de saúde. A eficácia local da combinação de medidas será esclarecida com dados de monitoramento mais longos.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/santa-catarina/dengue-balneario-camboriu-queda-casos/
- https://www.bc.sc.gov.br/imprensa_detalhe.cfm?codigo=42095
- https://www.bc.sc.gov.br/imprensa_detalhe.cfm?codigo=39723
- https://agencia.fiocruz.br/ms-e-fiocruz-implementam-e-ampliam-o-metodo-wolbachia-em-santa-catarina
- https://dive.saude.sc.gov.br/index.php/doencas-e-agravos/dengue