Vitória democrata no Congresso vira argumento de Teerã contra guerra de Trump
Mohammad Bagher Ghalibaf e o chefe do Judiciário iraniano associaram o resultado das eleições de 3 de novembro à oposição dos americanos ao conflito.
Redação ·
Autoridades iranianas usaram a vitória democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos como argumento contra a guerra conduzida por Donald Trump. Em mensagens divulgadas nesta quarta-feira, 4 de novembro, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã, e o chefe do Judiciário do país apresentaram o resultado como sinal de que eleitores americanos rejeitam o conflito.
A votação ocorreu na terça-feira, 3 de novembro, e os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, segundo a apuração divulgada pela BBC. As eleições de meio de mandato renovam cargos no Congresso e não são uma disputa presidencial; o resultado, porém, altera o equilíbrio político durante o restante do mandato de Trump.
O que disseram em Teerã
Ghalibaf relacionou a escolha dos eleitores à guerra e ao custo de vida. Em publicação no X, afirmou que os americanos disseram não à guerra e advertiu Washington a não ignorar a opinião pública. Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, chefe do Judiciário iraniano, também tratou o resultado como uma derrota política de Trump e declarou que o Irã ainda poderia impor novos reveses aos Estados Unidos.
Outros representantes iranianos adotaram tom semelhante. Mohammad Mokhber, assessor do líder supremo, descreveu a votação como uma reprimenda dada pelos próprios americanos ao presidente. Já Alireza Zakani, prefeito de Teerã, vinculou as perdas republicanas à resistência iraniana. São leituras políticas feitas por autoridades do Irã, não uma explicação comprovada sobre os motivos individuais de cada eleitor.
O resultado e seus limites
A perda das duas casas do Congresso representa um revés para Trump e para o Partido Republicano, mas não encerra por si só a política externa do governo. O resultado muda o ambiente legislativo e pode aumentar a fiscalização e a disputa política em Washington; a cobertura da AP também destacou preocupações com a guerra e com a alta dos preços de combustíveis.
A reação iraniana tampouco indica uma expectativa de melhora imediata nas relações. O líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou que seria um erro esperar uma mudança na política dos Estados Unidos em relação ao Irã. A diferença entre os comentários mostra que dirigentes iranianos podem celebrar o revés eleitoral de Trump sem prever uma redução da hostilidade entre os dois países.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/autoridades-do-governo-e-do-judiciario-do-ira-celebram-derrota-de-trump-nas-midterms/
- https://www.reuters.com/world/middle-east/iranian-officials-gloat-us-voters-deal-blow-trump-2026-11-04/
- https://www.aljazeera.com/news/2026/11/4/iranian-leaders-welcome-us-midterms-but-trump-may-still-attack
- https://www.aljazeera.com/news/2026/11/4/iran-hails-us-voters-rejecting-war-while-khamenei-warns-hostility-wont-end
- https://www.bbc.com/news/election/2026/us/results