Dólar e exportadoras ganham espaço na carteira da Vinland
O economista Aurélio Bicalho avalia que estímulos podem render pouco crescimento e mais inflação em uma economia com baixa capacidade ociosa.
Redação ·
A Vinland está montando posições com mais cautela diante do cenário econômico brasileiro. Na carteira de ações, a gestora aumentou a exposição a empresas exportadoras; no fundo macro, mantém posição comprada em dólar e investe em juros colombianos, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, 5 de novembro.
A mudança reflete uma avaliação de risco para os próximos anos, não uma previsão fechada sobre o desempenho da economia. A reportagem ouviu gestores que veem pouca chance de um ajuste fiscal capaz de estabilizar a dívida pública e consideram que uma eventual tentativa de estimular a atividade pode ter efeitos diferentes dos observados em períodos anteriores.
Por que os estímulos podem render menos
Aurélio Bicalho, economista-chefe da Vinland, disse que incentivos fiscais e expansão do crédito tenderiam a produzir mais inflação e pouco crescimento porque a economia está com baixa capacidade ociosa. Em outras palavras, há menos espaço disponível para ampliar a produção sem pressionar preços.
Bicalho também apontou limitações estruturais ao crescimento, como investimento e produtividade baixos e mudanças demográficas. A avaliação é que esses fatores reduzem a capacidade de a economia crescer de forma sustentada. O economista não apresentou, no relato, uma projeção numérica de PIB ou inflação.
Um gestor de recursos ouvido sob anonimato disse esperar que o desânimo dos empresários pese sobre o PIB a partir de 2027. Ele também manifestou preocupação com respostas do governo que envolvam bancos públicos ou mudanças na meta de inflação. São avaliações atribuídas aos entrevistados, não medidas anunciadas pelo governo.
Como a gestora está se posicionando
José Monforte, gestor de portfólio da Vinland, afirmou que a casa não tem pressa para ampliar posições. No fundo macro, além do dólar, a aposta em juros colombianos considera a possibilidade de o país começar a reduzir suas taxas em 2027, segundo a visão de Monforte.
Na parte de ações, Rodrigo Andrade elevou investimentos em exportadoras como Embraer, Suzano e WEG. Também aumentou posições em Itaú, empresas de transmissão de energia e Bradsaúde. A gestora está vendida em varejistas e incorporadoras — uma posição que tende a ganhar com a queda desses papéis e a perder se eles subirem.
O conjunto mostra uma carteira ajustada para um ambiente de incerteza, com exposição a empresas exportadoras e setores vistos pelos gestores como mais defensivos. Isso descreve as escolhas da Vinland, não uma recomendação geral de investimento: cada estratégia depende dos objetivos e dos riscos que cada investidor pode assumir.
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