Só 21% do varejo brasileiro identifica vendas feitas por agentes de IA

Só 21% do varejo brasileiro identifica vendas feitas por agentes de IA

Pesquisa da PYMNTS Intelligence com a Visa ouviu 1.185 varejistas em três países e aponta dificuldade para reconhecer esse tipo de compra.

Redação ·

Agentes de inteligência artificial já entraram no radar dos consumidores brasileiros, mas boa parte do varejo ainda não consegue perceber quando eles participam de uma compra. Um levantamento da PYMNTS Intelligence com a Visa indica que só 21% dos varejistas do Brasil conseguem identificar tráfego ou vendas originados por esses assistentes.

O dado integra um ensaio publicado pelo Brazil Journal nesta quinta-feira, 5 de novembro. A análise discute como lojas e marcas podem lidar com ferramentas que ajudam o consumidor a pesquisar produtos e escolher o que comprar — e, em alguns casos, encaminham a venda.

O consumidor avança mais rápido que as lojas

A diferença aparece também em uma pesquisa da Global Payments. Em maio de 2026, 72% dos brasileiros entrevistados disseram já ter usado ou estar dispostos a usar um agente de IA para fazer compras. Um ano antes, esse indicador era de 39%.

Esses números juntam quem já experimentou a tecnologia e quem aceitaria adotá-la; não significam que 72% já deleguem compras a uma IA. O levantamento ouviu consumidores de sete países. Já o estudo da PYMNTS Intelligence e da Visa ouviu 1.185 varejistas dos Estados Unidos, do Brasil e dos Emirados Árabes Unidos, em março.

A dificuldade de reconhecer a origem de uma venda importa porque o consumidor pode descobrir um produto numa conversa com um assistente e concluir o pedido no site ou no aplicativo da loja. Para o varejista, essa jornada pode aparecer nos relatórios como uma visita direta, sem deixar claro qual canal influenciou a escolha.

Quem mantém a relação com o cliente?

O ensaio do Brazil Journal apresenta esse desafio como uma disputa por relacionamento e dados, além de uma questão de custo de aquisição. Assistentes de terceiros podem ajudar uma marca a ser encontrada por novos clientes; mas, se o consumidor retorna sempre ao mesmo intermediário para comprar, a loja pode ter menos controle sobre a comunicação e a recompra. Esse é o argumento da análise, não uma conclusão medida pelos levantamentos citados.

A alternativa discutida no texto é combinar presença em plataformas externas com canais próprios, nos quais a empresa possa atender clientes recorrentes e organizar as informações obtidas nas conversas. O formato não é uma receita única: depende do investimento e da estrutura de cada varejista. O ponto prático é entender de onde vêm os pedidos antes de decidir como investir para atraí-los.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://braziljournal.com/opiniao-o-desafio-do-varejo-nao-perder-o-cliente-para-os-llms
  2. https://c-level.folha.uol.com.br/ia/2026/10/brasileiro-esta-mais-aberto-a-compras-com-ia-mas-seguranca-ainda-preocupa-diz-pesquisa.shtml
  3. https://www.letsmoney.com.br/noticias/lojistas-brasil-identificam-compra-agente-ia/