Uso avançado de IA ainda está distante para muitas jovens, mostra levantamento do Leapy

Uso avançado de IA ainda está distante para muitas jovens, mostra levantamento do Leapy

Pesquisa com 329 brasileiros de 18 a 22 anos também encontrou diferença na frequência de uso diário entre participantes brancos e negros.

Redação ·

A inteligência artificial já entrou na rotina de jovens brasileiros, mas a frequência e a profundidade desse uso não são iguais para todos. Um levantamento do Instituto Leapy com 329 pessoas de 18 a 22 anos, divulgado em 27 de outubro, encontrou diferenças associadas a raça, gênero e capacidade de pagar por ferramentas avançadas. Os resultados sugerem que a inclusão digital não depende apenas de ter internet: também envolve recursos, prática e oportunidade de aprender a usar a tecnologia em tarefas mais complexas.

A diferença aparece na frequência e no tipo de tarefa

Segundo os números divulgados, 70% dos participantes brancos disseram usar inteligência artificial todos os dias, ante 55% dos jovens negros. O estudo também identificou uma distância entre homens e mulheres na adoção diária: 67% dos homens relataram uso cotidiano, contra 60,6% das mulheres.

A diferença foi maior quando a pesquisa perguntou sobre aplicações técnicas avançadas, como programação. Entre os homens, 58,4% disseram recorrer à IA para esse tipo de atividade; entre as mulheres, o índice foi de 26,6%. Os dados apontam uma disparidade não só no contato com as ferramentas, mas também na variedade de usos que podem gerar aprendizado e experiência profissional.

O custo pode separar o acesso básico do uso completo

O preço das assinaturas foi apontado como o principal obstáculo para ampliar o uso por 42% dos entrevistados. Entre quem já utiliza IA diariamente, essa proporção chega a 51,2%. A barreira importa porque vários serviços oferecem recursos mais amplos em planos pagos, embora a pesquisa não detalhe quais produtos ou funcionalidades foram considerados.

Para jovens que estudam ou procuram emprego, a possibilidade de experimentar ferramentas e desenvolver competências pode influenciar a preparação para atividades que já incorporam automação. Isso não significa que a assinatura, por si só, garanta melhores oportunidades; indica, porém, que a capacidade de pagar pode afetar quem tem mais condições de explorar recursos de forma continuada.

Acesso digital não se resume a estar conectado

A UNICEF tem alertado que desigualdades no acesso a dispositivos e na formação de competências digitais podem determinar quem aproveita os benefícios da tecnologia. Seu trabalho sobre a divisão digital de gênero também registra diferenças no uso da internet entre meninas adolescentes e mulheres jovens em grande parte dos países analisados. Esses dados não medem a adoção de IA no Brasil, mas ajudam a situar por que diferenças de gênero podem persistir quando novas ferramentas passam a fazer parte da educação e do trabalho.

Um estudo sobre crianças e jovens em Portugal, por sua vez, registra uso amplo de IA generativa e diferenças associadas ao contexto social e aos tipos de atividade. A comparação serve como contexto, não como prova de que os resultados sejam iguais no Brasil: países, faixas etárias e métodos de pesquisa variam.

O que os números permitem concluir

A amostra do Leapy é relativamente pequena e as informações divulgadas não esclarecem detalhes metodológicos como seleção dos participantes, distribuição regional ou margem de erro. Por isso, os percentuais devem ser lidos como retrato dos entrevistados, e não como estimativa automaticamente representativa de todos os jovens brasileiros.

Ainda assim, os achados levantam uma questão prática para escolas, programas de formação e empregadores: ampliar o acesso à IA exige mais do que disponibilizar uma ferramenta. Orientação, dispositivos, conexão confiável e oportunidades de prática também podem influenciar quem transforma o uso cotidiano em competência. O acompanhamento de pesquisas mais amplas será importante para saber se as diferenças observadas se mantêm e quais intervenções ajudam a reduzi-las.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.estadao.com.br/tecmundo/inteligencia-artificial/pesquisa-aponta-barreiras-de-raca-genero-e-custo-no-uso-de-ia-por-jovens/
  2. https://data.unicef.org/resources/ictgenderdivide/
  3. https://www.unicef.org/innocenti/reports/policy-guidance-ai-children
  4. https://eukidsonline.fcsh.unl.pt/wp-content/uploads/sites/36/2026/02/1002-RELATO%CC%81RIO-INTEGRADO-Resultados-AI-Portugal_9.02.pdf