TSE vira palco central das disputas jurídicas entre Lula e Flávio
Levantamento da equipe de Lula contabilizou 313 decisões favoráveis e 182 desfavoráveis até 21 de outubro, mas não equivale a um balanço oficial da Justiça Eleitoral.
Redação ·
O segundo turno presidencial de 2026 passou a ser disputado também nos tribunais. Em reportagem publicada em 24 de outubro, a Gazeta do Povo descreveu uma mudança de foco nas ações das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro: enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) teria reduzido a exposição no embate eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concentrou decisões e pedidos ligados à disputa.
A dimensão desse contencioso aparece em um levantamento da equipe jurídica de Lula. Considerando decisões do TSE entre fevereiro e 21 de outubro, o grupo contabilizou 313 resultados favoráveis e 182 desfavoráveis à campanha. A contagem é produzida por uma das partes, não uma estatística oficial independente do tribunal, e depende dos critérios usados para classificar cada decisão.
O que os números mostram — e o que não mostram
O saldo apresentado pela campanha indica que seus advogados avaliam ter obtido mais vitórias do que derrotas na Justiça Eleitoral. Não permite, por si só, concluir que o TSE favorece um candidato: os processos podem tratar de pedidos diferentes, ter efeitos distintos e ainda estar sujeitos a recurso ou revisão.
A cautela é importante porque a contagem agrega decisões acumuladas ao longo de meses. Além disso, um resultado favorável em um pedido específico não define o resultado eleitoral nem necessariamente encerra a disputa jurídica sobre o conteúdo questionado.
Campanhas recorrem aos tribunais em várias frentes
As ações citadas na cobertura envolvem temas diversos, entre eles acusações veiculadas na campanha e pedidos relativos a propaganda eleitoral. O TSE é responsável por julgar controvérsias eleitorais e pode determinar providências como remoção de conteúdo ou esclarecimentos antes de analisar uma solicitação — medidas que não devem ser confundidas automaticamente com uma decisão final sobre o mérito.
A Justiça Eleitoral também registrou um volume elevado de disputas neste ciclo. Dados divulgados em outubro apontavam 804 ações e outros procedimentos apresentados por candidatos presidenciais em 2026, mais que o dobro dos 388 registrados em 2018 e dos 325 em 2022. O número ajuda a dimensionar a judicialização, mas não informa, isoladamente, quem prevaleceu nos processos.
STF e TSE têm papéis diferentes
A leitura de que houve um recuo do STF na reta final é uma interpretação sobre o comportamento político dos ministros, não uma mudança formal de competência. O TSE conduz a Justiça Eleitoral e julga casos relacionados às regras da campanha; o Supremo trata de questões constitucionais e pode ser acionado em matérias que cheguem à sua esfera.
Nesse contexto, uma decisão noticiada em 23 de outubro pelo ministro André Mendonça reiterou que Lula e Flávio poderiam divulgar voluntariamente os próprios sigilos bancário, fiscal e telefônico. A medida não significa que o tribunal tenha determinado uma quebra compulsória: segundo a cobertura, tratava-se da possibilidade de cada campanha abrir os dados por iniciativa própria, em meio a negociações entre os grupos.
O que observar nos próximos dias
Com a eleição próxima, pedidos de remoção de publicações, questionamentos sobre propaganda e iniciativas de transparência tendem a disputar espaço com os debates políticos. Decisões judiciais podem alterar o alcance de conteúdos e impor limites às campanhas, mas cada caso precisa ser lido conforme seu objeto e seus fundamentos, sem transformar uma sequência de liminares em veredito sobre a imparcialidade de toda uma corte.
Para o eleitor, acompanhar quem pediu cada medida, qual tribunal a examinou e se houve decisão definitiva ajuda a separar fatos processuais de argumentos de campanha. O placar apresentado pela equipe de Lula oferece um recorte da atuação de seus advogados; não substitui os autos nem um balanço neutro de todas as disputas.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/stf-recua-e-tse-da-a-lula-mais-vitorias-que-derrotas-na-campanha-contra-flavio/
- https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/10/derrotado-no-1o-turno-stf-faz-recuo-tatico-na-reta-final-da-campanha.ghtml
- https://valorinternational.globo.com/politics/news/2026/10/23/supreme-court-retreat-in-runoff-putting-spotlight-on-electoral-court.ghtml
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-10/mendonca-reitera-que-lula-e-flavio-podem-abrir-sigilos-por-ato-proprio
- https://amp.dw.com/pt-br/entenda-o-vai-e-vem-da-abertura-dos-sigilos-de-lula-e-fl%C3%A1vio-bolsonaro/a-79742187