Novo modelo dobra a contribuição do ‘Doomsday Glacier’ para a elevação do nível do mar até 2100
Um estudo observado por satélite aponta que água do mar penetra quilômetros sob o gelo de Thwaites, aumentando para até 30 mm a contribuição do glaciar ao nível do mar até 2100 — o dobro do cálculo anterior.
Redação ·
Thwaites, o chamado “Doomsday Glacier” na Antártica Ocidental, pode influenciar o futuro do litoral global muito mais do que se pensava: um novo modelo científico, calibrado com observações por satélite, estima que o glaciar sozinho poderá elevar o nível médio do mar em até 30 mm (1,2 polegada) até 2100 — cerca do dobro das estimativas anteriores.
O que os dados mostraram
Pesquisadores combinaram medições de radar de síntese apertada da constelação ICEYE com um modelo de camada de gelo que representa não uma linha rígida — a chamada grounding line —, mas uma zona de aterramento mais ampla e móvel. As imagens mostram que as marés estão levantando partes do gelo a vários quilômetros terra adentro, permitindo que água do mar, sob pressão, avance por baixo do gelo “fundado”. Esse processo leva calor oceânico para pontos mais internos da base do glaciar e acelera o derretimento por baixo.
Por que isso muda as projeções para 2100
Modelos clássicos tratavam a transição entre gelo apoiado no leito e gelo flutuante como um limite estreito e relativamente estável. Ao representar uma zona de aterramento ampla e sujeita a flexões tidais, o novo modelo reproduziu melhor as mudanças observadas nas últimas duas décadas e, quando projetado para o século, entregou um resultado até duas vezes maior para Thwaites — até 30 mm até 2100, segundo os autores.
Uma das vozes do estudo resumiu o impacto: “Our new model with more complete physics is able to match the record and then produces projections that are twice as large as before.”
O que isso significa para quem vive na costa
Trinta milímetros podem parecer pouco isoladamente, mas somados às outras fontes de elevação do nível do mar (derretimento de Groenlândia e expansão térmica) ampliam o risco de marés de tempestade, erosão e infiltração salina em áreas baixas. Cidades costeiras, infraestruturas portuárias e sistemas de drenagem terão de revisar planos de adaptação. O aumento também altera a frequência esperada de eventos extremos: inundações hoje centenárias podem se tornar muito mais comuns.
Incertezas e próximos passos
A estimativa tem incertezas — dependentes de como as correntes e as águas profundas vão mudar com o aquecimento global, além das respostas do próprio glaciar ao avanço interior. Ainda assim, o estudo destaca que processos localizados sob o gelo, pouco observados até agora, podem ter efeito global significativo.
Os cientistas pedem maior monitoramento por radar e missões oceânicas próximas ao front da geleira, além de incorporar a parametrização da zona de aterramento em modelos climáticos usados por decisores. Manter séries temporais de observação e melhorar a representação física são passos essenciais para reduzir a margem de erro das projeções.
O que virá a seguir
Além de atualizar projeções regionais de risco costeiro, o estudo tende a influenciar relatórios internacionais sobre elevação do nível do mar e estratégias de adaptação. Governos e gestores urbanos precisam considerar cenários revisados em planos de uso do solo, seguros e investimento em infraestrutura resistente a água do mar.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://gizmodo.com/ocean-water-is-seeping-under-the-doomsday-glacier-and-its-sea-level-threat-just-doubled-2000825851
- https://doi.org/10.1038/s41467-026-77976-1
- https://phys.org/news/2026-10-thwaites-glacier-contribute-sea-previously.html
- https://www.martincid.com/science/thwaites-glacier-sea-level-rise-doubles-2100-grounding-zone/