Tarot nasceu como jogo na Itália e só séculos depois ganhou fama de prever o futuro

Tarot nasceu como jogo na Itália e só séculos depois ganhou fama de prever o futuro

A edição do Terra para 2 de novembro associa cartas aos 12 signos, mas o baralho surgiu na Europa renascentista como entretenimento.

Redação ·

As cartas de tarot que hoje aparecem em consultas e previsões diárias começaram com outra função: eram usadas em jogos na Itália do século XV. Essa diferença ajuda a entender a edição publicada pelo Terra nesta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, que relaciona cartas aos 12 signos e trata o tarot como uma leitura simbólica para o Dia de Finados.

A matéria associa, por exemplo, o 3 de Copas a Áries, a Roda da Fortuna a Gêmeos e Os Enamorados a Virgem. São interpretações próprias da prática esotérica, não informações verificáveis sobre o que necessariamente vai acontecer com quem nasceu sob cada signo. Para o leitor, essa distinção importa: dá para acompanhar a linguagem simbólica sem tomar uma previsão como orientação comprovada para decisões importantes.

De onde vieram as cartas

Os registros históricos situam os primeiros baralhos de tarot na Itália renascentista, onde eram usados em jogos de cartas. Alguns dos exemplares mais antigos conhecidos foram produzidos para famílias poderosas de Milão, como os Visconti e os Sforza. As imagens elaboradas também refletem a arte e os símbolos daquele período.

A associação do tarot com adivinhação veio bem depois. No fim do século XVIII, ocultistas franceses passaram a atribuir significados místicos às cartas e a usá-las para leituras sobre o futuro. Com o tempo, essa interpretação se espalhou e se tornou a imagem mais conhecida do tarot, embora não corresponda à finalidade original do baralho.

Essa trajetória também mostra como uma prática pode mudar de sentido conforme a época. O mesmo conjunto de imagens pode funcionar como jogo, objeto artístico, recurso espiritual ou ferramenta de reflexão pessoal. O uso atual não apaga a origem histórica, mas acrescenta novas camadas de significado.

O que uma previsão pode — e não pode — dizer

Uma leitura de tarot pode servir como ponto de partida para pensar em relações, escolhas e expectativas. Isso não significa que as cartas consigam antecipar acontecimentos. A existência de interpretações populares, por si só, não demonstra que uma previsão vá se confirmar ou que um signo determine o comportamento de alguém.

A pesquisa científica não oferece base sólida para tratar tarot ou astrologia como métodos confiáveis de previsão. Um texto sobre divinação e saúde mental publicado pela ABC observa que a prática pode ter significado subjetivo para algumas pessoas, mas isso é diferente de comprovar poderes preditivos ou eficácia clínica. Por isso, previsões não substituem aconselhamento médico, financeiro ou jurídico, nem devem ser a única base para decisões com consequências concretas.

Por que o tarot segue presente

Parte do apelo está na possibilidade de usar imagens e narrativas como estímulo para organizar pensamentos. Uma carta pode levar alguém a refletir sobre o que valoriza ou sobre uma conversa que vem adiando. Esse efeito de reflexão é uma experiência individual; não prova que o baralho conheça o futuro.

No caso da edição do Terra, o Dia de Finados oferece um gancho para falar de lembranças, vínculos e mudanças. O conteúdo apresenta sugestões diferentes para cada signo, mas cabe ao leitor separar esse repertório simbólico de fatos e previsões comprovadas. A história do tarot lembra que as cartas não nasceram como oráculo: essa função foi construída séculos depois.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/horoscopo/astrologia/tarot-do-dia-0211-veja-o-que-as-cartas-revelam-para-os-12-signos-nesta-segunda-feira,83e9c5bf5e6ccc819ff569666e59d4b9v4px6h8o.html
  2. https://www.vam.ac.uk/articles/tarot-cards/
  3. https://www.nationalgeographic.com/history/article/tarot-cards-history-fortune-telling
  4. https://www.abc.net.au/listen/programs/allinthemind/divination-isnt-scientific-can-it-be-therapeutic/105525772