Sucessão de Guterres na ONU ganha possível nome ligado a Trump
A escolha do próximo secretário-geral começa em 2027 e depende de recomendação do Conselho de Segurança, onde cinco países têm poder de veto.
Redação ·
A disputa pela chefia da Organização das Nações Unidas (ONU) entrou no radar político dos Estados Unidos com a possível indicação do ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. Segundo uma reportagem publicada em 25 de outubro pelo Wall Street Journal e repercutida no dia seguinte, integrantes do governo de Donald Trump sondaram Orbán e conversaram sobre seu nome com representantes da Rússia e da China. Não houve anúncio de candidatura nem confirmação de apoio oficial dos dois países.
O tema surge às vésperas da sucessão de António Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro de 2026. O próximo secretário-geral deve assumir em 1º de janeiro de 2027, mas a escolha ainda depende de uma negociação entre os integrantes do Conselho de Segurança e a Assembleia Geral.
Uma sondagem política, não uma nomeação
De acordo com a reportagem atribuída ao Wall Street Journal, autoridades americanas consideram que a proximidade de Orbán com Trump, Moscou e Pequim poderia ajudar a construir apoio entre potências com assento permanente no Conselho de Segurança. As fontes citadas teriam estimado que ele poderia começar com oito votos e tentar chegar a dez, entre os 15 integrantes do órgão.
Esses números, porém, não equivalem a uma contagem oficial. A mesma cobertura descreve a iniciativa como uma conversa preliminar: Orbán teria demonstrado interesse, mas condicionado uma eventual candidatura à existência de chances reais de vitória. Até o momento retratado nas reportagens, não havia confirmação pública de que ele aceitara concorrer ou de que algum governo o tivesse indicado formalmente.
Como funciona a escolha do secretário-geral
O Conselho de Segurança recomenda um nome e a Assembleia Geral faz a nomeação. Para aprovar a recomendação são necessários pelo menos nove votos favoráveis entre os 15 membros, sem voto contrário de qualquer um dos cinco permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. Na prática, qualquer um desses países pode bloquear um candidato.
Por isso, uma aproximação entre Washington, Moscou e Pequim, se confirmada, não bastaria para assegurar a escolha de Orbán. França e Reino Unido também têm poder de veto, e a etapa posterior na Assembleia Geral precisa ser cumprida. O processo oficial para o mandato que começa em 2027 já está em andamento, mas a disputa permanece aberta.
Resistências e interesses em jogo
A possível candidatura já provoca oposição entre governos europeus. A reportagem da Gazeta do Povo relata que o chanceler polonês, Radosław Sikorski, não prevê apoio de Varsóvia. O ministro ucraniano Andrii Sybiha criticou a hipótese, associando Orbán a bloqueios de decisões da União Europeia sobre a guerra russa contra a Ucrânia.
Também há ressalvas sobre o apoio de Moscou: segundo a notícia, o vice-ministro russo Aleksandr Alimov afirmou que o tema ainda não fora discutido formalmente no Conselho de Segurança e mencionou a preferência russa por um candidato da América Latina ou do Caribe. A alternância regional é uma prática política informal, não uma regra obrigatória da Carta da ONU.
O que pode acontecer agora
A sucessão ainda está em fase de articulação e a candidatura de Orbán não está confirmada. A hipótese pode ganhar contornos mais claros depois das eleições legislativas americanas de 3 de novembro, segundo as fontes citadas pela imprensa, mas isso também não representa uma data oficial para anúncio ou decisão.
Para o leitor, o ponto central é que o cargo não é preenchido por escolha unilateral de um governo. A disputa combina votos, vetos e negociações diplomáticas, e qualquer candidatura precisa atravessar essas etapas. Até que haja confirmação pública dos países envolvidos, a possibilidade de Orbán deve ser entendida como uma sondagem reportada, não como um acordo fechado entre as grandes potências.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/orban-na-onu-trump-busca-apoio-de-russia-e-china-para-emplacar-aliado-na-chefia-das-nacoes-unidas/
- https://www.euronews.com/2026/10/26/trump-officials-back-orban-bid-for-un-secretary-general-wsj-reports
- https://www.un.org/pga/81/sg-selection/
- https://news.un.org/en/story/2026/04/1167323