Strawberry leva colegas de IA para o navegador e mira equipes sem programação
A plataforma chega à versão 1.0 com planos de até US$ 250 e integração a ferramentas como Slack, WhatsApp e Google Agenda.
Redação ·
A Strawberry, startup de Estocolmo, apresentou nesta segunda-feira, 26 de outubro, a versão 1.0 de uma plataforma que coloca agentes de inteligência artificial dentro do navegador. A empresa mira equipes corporativas sem especialização técnica e quer transformar tarefas feitas em diferentes páginas e serviços em fluxos que possam ser executados com auxílio de assistentes digitais.
A proposta vai além de responder perguntas em uma janela de conversa: os agentes podem realizar ações, apoiar rotinas de trabalho e se conectar a ferramentas usadas pelas equipes. Para as empresas, o desafio será avaliar se a automação economiza tempo sem comprometer a supervisão de tarefas e o controle sobre dados e contas.
Assistentes que participam do fluxo de trabalho
A Strawberry chama seus agentes pré-configurados de “companions”. Eles podem ser criados para áreas como vendas, marketing e jurídico, além de compartilhados entre colegas. A versão 1.0 inclui o Multiplayer, recurso destinado a dividir agentes, arquivos e habilidades com outros integrantes da equipe.
A plataforma também permite configurar rotinas acionadas por horário ou por eventos, como a chegada de um e-mail ou de um novo lead comercial. Para trabalhos maiores, subagentes podem atuar ao mesmo tempo — por exemplo, separar partes de uma tarefa de análise de currículos. A ideia é reduzir etapas repetitivas sem exigir que cada funcionário programe uma automação do zero.
Integrações e reuniões sem bot visível
Entre os serviços mencionados pela empresa estão Slack, WhatsApp e Google Agenda. A solução também oferece gravação de reuniões no Google Meet, Zoom e Microsoft Teams sem adicionar um bot visível à chamada, segundo as informações divulgadas no lançamento.
A estreia é para computadores com macOS e Windows. Uma versão para celulares está nos planos, mas a companhia ainda não divulgou data. Esse limite inicial importa para equipes que dependem do trabalho móvel: por enquanto, o uso do produto fica concentrado no desktop.
Preços e aposta de crescimento
Há uma modalidade gratuita para testes e três planos pagos, de US$ 20, US$ 85 e US$ 250. A cobrança considera créditos mensais consumidos quando os agentes trabalham; a navegação comum não entra nessa conta, de acordo com a empresa. Os valores, por si só, não permitem comparar o custo entre equipes sem conhecer o volume de tarefas e o uso esperado.
A startup informa ter recebido US$ 6 milhões de investidores, entre eles EQT e General Catalyst, e conta com uma equipe de 12 pessoas em Estocolmo. A expansão para a América Latina está nos planos da companhia. A região interessa a fornecedores de IA por sua adoção crescente em empresas, mas a Strawberry ainda precisa demonstrar como o produto se comporta em operações locais e em diferentes idiomas.
O que as empresas devem avaliar
A empresa afirma que segue regras de proteção de dados da União Europeia, possui certificações SOC 2 Type I e Type II e pede autorização antes de os agentes executarem ações. Também diz que os dados ficam armazenados localmente e não são usados para treinar modelos fundacionais. Essas declarações tornam privacidade e permissões parte central da oferta, mas não eliminam a necessidade de cada organização revisar acessos, políticas internas e riscos de automações que enviam mensagens ou operam contas.
A Strawberry entra em um mercado disputado por assistentes generalistas e ferramentas de automação. Seu diferencial pretendido é combinar navegador, agentes compartilháveis e rotinas em uma interface voltada a usuários não técnicos. A adoção dependerá de fatores práticos: precisão das ações, integração com sistemas corporativos, custo por tarefa e facilidade para interromper ou corrigir um agente quando ele errar.
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