Sinal da Voyager 1 levará 24 horas para alcançar a Terra
A sonda deve cruzar essa distância inédita em 18 de novembro, após quase cinco décadas de viagem pelo espaço interestelar.
Redação ·
Uma mensagem enviada pela Voyager 1 vai precisar de cerca de 24 horas para chegar à Terra. A sonda da NASA deve atingir essa distância-limite em 18 de novembro de 2026, quando estará a aproximadamente 25,9 bilhões de quilômetros do nosso planeta. É um marco inédito para um objeto construído por seres humanos — e também um jeito bem concreto de medir o tamanho do espaço entre a nave e casa.
O que significa estar a um dia-luz
Um dia-luz não é um intervalo de tempo de viagem da sonda. É uma medida de distância: o espaço que a luz percorre em 24 horas, cerca de 25,9 bilhões de quilômetros, ou 16,1 bilhões de milhas. Como os sinais de rádio viajam à velocidade da luz, uma transmissão da Voyager 1 levará aproximadamente um dia para chegar aos operadores na Terra. Uma ordem enviada daqui também fará o percurso por cerca de um dia antes de alcançar a nave.
Isso muda a conversa com a sonda: qualquer resposta depende de uma espera longa mesmo quando tudo funciona normalmente. E o marco não quer dizer que a Voyager ficará sem contato; significa que o atraso de comunicação terá chegado a essa escala. O horário calculado pela NASA para a passagem é 5h16 (horário do leste dos Estados Unidos) em 18 de novembro, ou 7h16 no horário de Brasília.
Uma missão que já ultrapassou o plano inicial
A Voyager 1 foi lançada em 5 de setembro de 1977. Seu roteiro original previa uma missão de cerca de cinco anos para estudar Júpiter e Saturno. A nave passou pelos dois planetas e seguiu viagem, tornando-se a primeira sonda a entrar no espaço interestelar, em 2012, depois de atravessar a heliopausa — a região em que a influência do vento solar deixa de dominar o ambiente ao redor.
A marca de um dia-luz não é, portanto, o momento em que a Voyager entra no espaço interestelar. É um novo recorde de distância, alcançado muitos anos depois de a missão já ter deixado para trás seu objetivo planetário inicial. A Voyager 2 também cruzou a heliopausa, em 2018, mas está mais perto da Terra e não deve chegar a um dia-luz antes da companheira.
Por que a nave ainda consegue operar
As duas sondas Voyager usam geradores que produzem eletricidade a partir do calor liberado pelo decaimento de plutônio. Essa fonte perde capacidade com o tempo, então a equipe da missão vem desligando instrumentos e sistemas para economizar energia e prolongar as operações científicas. Manter uma nave ativa por quase meio século, a distâncias tão grandes, exige equilibrar o que ainda pode ser medido com a energia disponível.
A distância também torna mais delicada a rotina de controle. A equipe não consegue conduzir a nave em tempo real como se fosse um veículo próximo: os comandos precisam ser planejados e enviados com antecedência, e a confirmação só chega depois do percurso do sinal. Ainda assim, os dados que a Voyager transmite ajudam a estudar partículas, campos magnéticos e o ambiente além da bolha solar.
O recorde em perspectiva
A previsão de 18 de novembro é um cálculo de posição, não uma nova manobra ou uma mudança de rota. O interesse está no que a distância representa: pela primeira vez, um artefato humano estará tão longe que a comunicação de ida ou de volta exigirá um dia inteiro. Quase 49 anos depois do lançamento, a Voyager 1 continua levando instrumentos e medições a uma região que nenhuma missão tripulada alcançou.
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