Simulação calcula alta de 21,55% para indústria de calçados sob Lula
No modelo analisado, a carga de uma rede varejista também cresce 13,17%, enquanto pequenos negócios do Simples não registram mudança pelas regras consideradas.
Redação ·
Uma simulação tributária divulgada pela Gazeta do Povo em 24 de outubro aponta que a carga federal calculada para uma indústria-modelo de calçados ficou 21,55% maior entre 2022 e 2026. No cenário de uma rede varejista nacional, a alta estimada foi de 13,17%. Os números representam empresas hipotéticas com premissas específicas, não uma medição de todo o setor nem uma estatística oficial da arrecadação.
O que está por trás das variações
A comparação reúne mudanças que afetam a maneira como certos tributos são calculados e compensados. Entre elas está a exclusão do ICMS da base de créditos de PIS e Cofins, regra que reduz o montante que empresas no regime não cumulativo podem descontar de suas compras. Com menos créditos disponíveis, o valor efetivamente recolhido pode subir, mesmo sem alteração nas alíquotas nominais.
A simulação também considera a retomada gradual da contribuição previdenciária sobre a folha em setores antes beneficiados pela desoneração. Em 2026, a contribuição sobre salários, segundo a reportagem, corresponde a 10%; o cronograma prevê elevação para 15% em 2027 e retorno ao patamar integral de 20% em 2028.
Diferenças entre os modelos
O efeito estimado não é igual para todas as atividades. A indústria de calçados foi atingida, no cenário montado, tanto pela mudança nos créditos de PIS/Cofins quanto pela reoneração da folha. Para o varejo, o impacto atribuído pela reportagem veio principalmente da regra sobre créditos.
A empresa varejista hipotética tinha faturamento anual de R$ 500 milhões e 2 mil funcionários. Seus tributos federais calculados passaram de R$ 44,25 milhões em 2022 para R$ 50,08 milhões em 2026. Já a clínica médica usada na comparação teve aumento estimado de 2,6%. Pequenos negócios do Simples Nacional não apresentaram alteração diante das medidas examinadas.
Atenção ao significado dos números
A reportagem associa os resultados a uma simulação feita por uma tributarista, e não a um levantamento abrangente de empresas reais. O percentual de 21,55%, portanto, descreve aquele modelo de indústria de calçados. Porte, folha, margem, regime fiscal e composição das compras podem mudar o resultado de uma empresa para outra.
Também é importante distinguir aumento da carga efetiva de “gasto tributário”. A expressão gasto tributário se refere à receita que o poder público deixa de arrecadar por benefícios fiscais. A comparação das empresas-modelo, por sua vez, examina como a redução de créditos e a retirada gradual de benefícios podem elevar o tributo pago. São conceitos relacionados, mas não equivalentes.
O quadro mais amplo das renúncias
A Receita Federal estimou em R$ 612,84 bilhões os gastos tributários federais previstos para 2026, segundo seu demonstrativo associado à proposta orçamentária daquele ano. O total abrange benefícios diversos — destinados a pessoas físicas, empresas, setores e regiões — e não pode ser atribuído especificamente às empresas da simulação.
Para os negócios, a consequência prática dependerá de como cada companhia absorve custos adicionais. Empresas podem reduzir margens, rever investimentos ou tentar repassar parte do impacto aos preços; a simulação não quantifica qual desses caminhos prevalecerá. O início da transição da reforma tributária em 2027, com a entrada da CBS para substituir PIS e Cofins, acrescenta uma mudança importante ao planejamento fiscal das companhias.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/economia/governo-lula-eleva-gastos-tributarios-de-industrias-e-redes-varejistas/
- https://www.gazetadopovo.com.br/economia/impostos-lula-governo-elevou-carga-tributaria-empresas-simulacao/?ref=veja-tambem
- https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/relatorios/renuncia/gastos-tributarios-ploa/dgt-previsao-ploa-2026-base-conceitual.pdf