Sicoob Ouro Verde envolve 273 jovens na gestão de cooperativas em Londrina
Em oito grupos, participantes de 8 a 17 anos produzem e vendem itens, cuidam das contas e decidem coletivamente como usar as sobras.
Redação ·
Em Londrina, 273 jovens participam de oito cooperativas mirins mantidas pelo Sicoob Ouro Verde. As atividades, voltadas a pessoas de 8 a 17 anos, colocam os estudantes para administrar associações, produzir itens e decidir em grupo como aplicar o dinheiro arrecadado.
A experiência funciona como um negócio em escala escolar: cada cooperativa escolhe um produto ou serviço que faça sentido para a comunidade. Em Lerroville, por exemplo, um dos grupos prepara pipocas gourmet; outro vende trufas, biscoitos e bolos de pote. Os participantes fazem um aporte inicial, organizam as vendas e acompanham as despesas.
Quem cuida do dinheiro e das decisões
Os jovens elegem uma diretoria, com funções como presidência, finanças e marketing. Também participam de assembleias e aprendem a preparar estatutos e atas, além de registrar entradas e gastos em livro-caixa ou planilhas. Um educador acompanha o trabalho, mas as tarefas e escolhas ficam a cargo dos cooperados.
O dinheiro é guardado em caixas separadas por finalidade, como custos de produção e reserva. O saldo tem limite equivalente a um salário mínimo por mês. A regra estimula que os recursos voltem a circular em novas atividades, em vez de ficarem acumulados. No cooperativismo, o resultado positivo é chamado de “sobra”; os participantes decidem em assembleia se ele vai para lazer ou para ações coletivas.
Em Lerroville, parte do dinheiro das vendas já bancou um passeio de cerca de 40 crianças a uma sorveteria. Os grupos também doam à comunidade os alimentos que não foram vendidos.
Uma cooperativa dentro da Apae
Outra iniciativa do Sicoob Ouro Verde funciona na Apae de Londrina. A Mãos que Transformam reúne 17 participantes de 15 a 40 anos com deficiência intelectual e múltipla. O grupo reativou uma padaria que estava sem uso e produz, entre outros itens, bolachas e broas.
A rotina envolve decisões práticas: os cooperados consultam preços de supermercado para calcular custos e definir quanto cobrar. Também organizam ações de sustentabilidade, como o plantio de mudas e a coleta de tampinhas plásticas. Segundo a reportagem, essa unidade é a única cooperativa mirim do país formada integralmente por alunos com deficiência.
Rian Santos entrou na Cooper Ville aos 15 anos e foi eleito presidente. Hoje, aos 18, estuda Educação Física e atua como educador orientador de duas cooperativas da região. O caso mostra como o programa pode continuar depois da participação escolar: quem já viveu a experiência passa a apoiar novos grupos.
O projeto combina educação financeira com participação democrática. Na prática, os jovens têm de planejar o que produzir, prestar contas e decidir juntos o destino das sobras — competências exercitadas com dinheiro e responsabilidades reais, ainda que em escala pequena.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/economia-cooperativa/projeto-do-sicoob-transforma-jovens-em-liderancas-por-meio-do-cooperativismo/
- https://www.tribunapr.com.br/noticias/economia/programa-de-cooperativas-mirins-transforma-jovens-em-empreendedores/
- https://www.sicoob.com.br/web/sicoob/noticias/-/asset_publisher/xAioIawpOI5S/content/id/1509297