Sanepar prepara reforço hídrico de 1.200 litros por segundo para três cidades
Projeto vai atender Apucarana, Arapongas e Rolândia; contrato prevê 89 quilômetros de tubulações e novas unidades de captação e tratamento.
Redação ·
Um reforço de 1.200 litros de água tratada por segundo está previsto para Apucarana, Arapongas e Rolândia, no Norte do Paraná. A Sanepar definiu na quarta-feira, 28 de outubro, o consórcio que ficará responsável por construir a primeira etapa do Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná (SAINP), projeto pensado para ampliar a segurança do fornecimento na região.
O Consórcio Águas do Paraná venceu o leilão realizado na B3, em São Paulo, com uma proposta de aluguel mensal de R$ 9.031.100,05. O grupo reúne Blueocean Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, PB Construções e TGA Construção e Segurança Viária. Foi a única proposta apresentada e ficou 3% abaixo do teto previsto no edital.
O que entra nesta primeira etapa
A estrutura deve adicionar água captada no Rio Taquara e no Ribeirão Apertados: 800 litros por segundo virão do primeiro manancial e 400 litros por segundo do segundo. O plano inclui duas novas unidades de captação, cinco estações elevatórias e uma Estação de Tratamento de Água no Sistema Taquara.
Também está prevista a ampliação do reservatório Papa-Piri, em Arapongas, com capacidade adicional de 4 milhões de litros. A obra inclui ainda 89 quilômetros de tubulações para transportar água. Na prática, a rede integrada poderá ajudar a equilibrar o abastecimento entre as três cidades quando houver menor disponibilidade em uma delas.
Por que aparecem cifras diferentes
O projeto é frequentemente descrito como uma iniciativa de cerca de R$ 2 bilhões. Esse valor se refere ao contrato de locação ao longo do tempo, não necessariamente ao custo imediato de erguer as estruturas. O aluguel mensal apresentado pelo consórcio será pago durante a vigência contratual, prevista em 20 anos.
Estimativas publicadas sobre a parte física da implantação apontam cerca de R$ 679 milhões em investimentos. A diferença entre as cifras importa: os R$ 2 bilhões representam uma obrigação financeira de longo prazo, enquanto o valor menor se aproxima do investimento para projetar e construir os ativos. Como se trata de uma contratação de locação, a Sanepar paga pelo uso da infraestrutura disponibilizada pelo parceiro privado.
Quem constrói e quem opera
Pelo modelo escolhido, o consórcio prepara o projeto executivo, executa as obras e disponibiliza estruturas como tubulações, equipamentos e edificações. A Sanepar continua responsável pela operação do sistema. Ou seja, a construção fica a cargo do grupo contratado, mas o abastecimento não deixa de ser operado pela companhia estadual.
A primeira etapa é parte de um plano maior. Uma fase futura deve integrar Cambé e Londrina, usando o Rio Tibagi como manancial estratégico. Quando o sistema completo estiver implantado, a previsão da companhia é alcançar produção de 5,5 mil litros por segundo e atender diretamente 1,4 milhão de consumidores no Norte do estado. Essa etapa ampliada ainda não é o resultado imediato do leilão recém-realizado.
A escolha do consórcio é um passo para tirar a primeira fase do papel, mas não significa que as novas estruturas já estejam prontas ou que o aumento de oferta seja imediato. A execução das obras e a entrada dos ativos em operação é que vão determinar quando os moradores sentirão a diferença no abastecimento.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/parana/sanepar-define-consorcio-para-obra-de-r-2-bilhoes-no-norte-do-parana/
- https://www.sanepar.com.br/noticias/sanepar-define-consorcio-aguas-do-parana-como-vencedor-do-leilao-de-megaprojeto-no-norte-do-estado
- https://www.parana.pr.gov.br/aen/Noticia/Sanepar-publica-edital-para-implantacao-de-sistema-de-abastecimento-integrado-no-Norte
- https://neofeed.com.br/economia/na-contramao-das-privatizacoes-sanepar-fecha-contrato-de-r-2-bi-em-modelo-de-locacao-de-ativos/