Ruy Castro fica com o principal troféu do Jabuti; Alberto Martins vence em poesia
A cerimônia da 68ª edição ocorreu em 27 de outubro, na Sala São Paulo, com vencedores em 23 categorias.
Redação ·
A 68ª edição do Prêmio Jabuti terminou com dois destaques em frentes diferentes: Ruy Castro levou o Livro do Ano por Trincheira tropical, enquanto Alberto Martins venceu a categoria Poesia com Boris e Marina. A cerimônia organizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) aconteceu na noite de 27 de outubro, na Sala São Paulo, em São Paulo.
O resultado também colocou em evidência o contraste entre a escolha do júri de poesia e o reconhecimento recente de Adélia Prado. A autora, de 90 anos, estava entre as finalistas com O jardim das oliveiras, mas não ficou com a estatueta. Já Castro recebeu o prêmio principal pela segunda edição consecutiva.
O que levou Ruy Castro ao Livro do Ano
Além do troféu principal, Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio venceu Biografia e Reportagem. O livro reconstrói a vida na capital fluminense durante a Segunda Guerra, conectando um período internacional a episódios e personagens da história brasileira. A obra saiu pela Companhia das Letras.
O Livro do Ano é escolhido entre os vencedores das categorias de Literatura e Não Ficção, e a edição de 2026 contemplou 23 categorias. A vitória dupla dá à obra de Castro destaque tanto na área em que concorreu quanto na disputa geral da premiação. Em 2025, ele também havia recebido o Livro do Ano, com O ouvidor do Brasil, segundo os resultados divulgados após a cerimônia.
A disputa de poesia e o percurso de Adélia
Em Poesia, o júri escolheu Boris e Marina, de Alberto Martins. O livro parte das cartas trocadas em 1926 por Boris Pasternak, Marina Tsvetáieva e Rainer Maria Rilke, transformando esse diálogo entre escritores em matéria poética. A escolha não apaga a presença de Adélia na lista de finalistas, mas mostra como o Jabuti distingue a obra premiada de outros reconhecimentos recebidos ao longo da carreira.
O jardim das oliveiras é o primeiro livro de poemas inéditos de Adélia desde 2013. Em 2024, ela recebeu o Prêmio Camões e o Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. A Fundação Biblioteca Nacional também havia colocado o livro em primeiro lugar na categoria Poesia, antes da cerimônia do Jabuti. São prêmios com júris e critérios próprios: um resultado não determina o outro.
Um prêmio que reúne escolhas bem diferentes
A edição distribuiu troféus em áreas variadas da produção editorial, e não apenas nas categorias de ficção mais conhecidas. Entre os vencedores citados nas listas publicadas após a cerimônia estão Eliana Alves Cruz, em Romance Literário, e Ian Fraser, em Romance de Entretenimento. Pedro Pacífico, conhecido como Bookster, recebeu o reconhecimento de Incentivo à Leitura — Cultura Digital, categoria nova nesta edição.
A entrega ocorreu num momento em que a conversa política apareceu no palco e na plateia, mas os resultados literários foram definidos por categorias e júris específicos. Para quem acompanha o mercado do livro, os vencedores ajudam a enxergar quais obras ganharam espaço neste ano; para os leitores, a lista também oferece caminhos diferentes para chegar à poesia, à biografia e à ficção brasileira.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/premio-jabuti-de-literatura-celebra-lula-e-esnoba-a-catolica-adelia-prado/
- https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2026/10/27/premio-jabuti-2026-veja-lista-de-vencedores.ghtml
- https://vogue.globo.com/cultura/livros/noticia/2026/10/confira-a-lista-completa-de-vencedores-do-68o-premio-jabuti.ghtml
- https://quatrocincoum.com.br/noticias/premios-literarios/os-vencedores-do-premio-jabuti-2026/