Richard Tur deixa os EUA após atrito na sede da ONU
Washington comunicou a decisão em 28 de outubro, um dia depois do confronto durante o debate anual sobre o embargo a Cuba.
Redação ·
A expulsão de Richard Tur de la Concepción transformou uma discussão no plenário da ONU em uma nova tensão entre Washington e Havana. O governo dos Estados Unidos comunicou à missão cubana, em 28 de outubro, que o primeiro-secretário não era bem-vindo no país, depois de um incidente ocorrido no dia anterior, em Nova York.
Tur foi apontado como o diplomata que atingiu o celular de um funcionário americano que gravava a cena. O episódio aconteceu durante a sessão anual da Assembleia Geral dedicada à resolução que pede o fim do embargo dos EUA contra Cuba. A disputa se desenrolou diante de representantes de outros países e envolveu também os chefes das delegações dos dois governos.
Como a discussão saiu do plenário
O embaixador americano Mike Waltz discursava sobre a política cubana quando o chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, e outros diplomatas interromperam sua fala. Eles se aproximaram da tribuna, bateram nas mesas e pediram espaço para responder. Waltz reagiu em voz alta e pediu que Rodríguez se afastasse.
No meio da confusão, Tur atingiu o aparelho de JP Freire, integrante da equipe de comunicação da missão dos Estados Unidos na ONU, que filmava o que acontecia. A expulsão foi direcionada a Tur, não ao chanceler cubano que discutiu com Waltz. O Departamento de Estado informou que a missão de Cuba foi avisada de que o diplomata não poderia permanecer nos EUA; segundo o porta-voz, ele deixou o país.
O pano de fundo é o embargo
A sessão em que ocorreu o confronto tinha como foco uma resolução anual contra o embargo econômico americano à ilha. O texto foi aprovado, mas recebeu menos apoio do que na votação de 2025, segundo a cobertura do episódio. A diferença dá uma medida do ambiente diplomático mais difícil para Havana, embora o resultado da votação, por si só, não altere a política dos Estados Unidos.
O embargo é uma questão recorrente nas relações entre os dois países e costuma dividir os participantes da Assembleia Geral. Para Cuba, a medida limita sua economia e deve ser encerrada; Washington, por sua vez, mantém pressão sobre o governo cubano e sustenta críticas à condução política da ilha. Assim, a disputa no plenário não ficou restrita a um bate-boca: ela ocorreu justamente em uma sessão que expõe, ano após ano, o desacordo entre os dois governos.
O que a expulsão muda — e o que não muda
A decisão de retirar Tur do país é uma medida diplomática concreta, mas não equivale, por si só, a uma mudança formal nas relações entre Estados Unidos e Cuba. O gesto eleva o tom do episódio e cria mais um ponto de atrito, sem resolver a disputa em torno do embargo nem indicar, sozinho, quais serão os próximos passos de Washington.
A expulsão também não deve ser confundida com a aprovação da resolução da ONU: são acontecimentos ligados à mesma sessão, mas com efeitos diferentes. A votação expressa a posição dos países que participaram; a saída de Tur foi uma decisão do governo americano sobre a presença de um integrante da missão cubana em seu território. Por ora, o que está confirmado é a comunicação de que ele não era bem-vindo e sua partida dos Estados Unidos.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/eua-expulsam-diplomata-cubano-apos-discussao-onu/
- https://cbn.globo.com/mundo/noticia/2026/10/30/governo-trump-expulsa-diplomata-cubano-apos-discussao-na-onu.ghtml
- https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/governo-trump-expulsa-diplomata-cubano-dos-eua-apos-bate-boca-na-onu.shtml
- https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/governo-trump-expulsa-diplomata-cubano-em-meio-ao-aumento-das-tensoes/
- https://www.europapress.es/internacional/noticia-eeuu-expulsa-diplomatico-cubano-altercado-verbal-asamblea-general-naciones-unidas-20261029085921.html