Renov prepara avaliação remota de celulares para avançar no comércio eletrônico

Renov prepara avaliação remota de celulares para avançar no comércio eletrônico

A quarta geração do sistema usa quatro imagens para classificar defeitos e calcular descontos, enquanto a empresa projeta levar o trade-in ao ambiente online em 2027.

Redação ·

A Renov quer tornar mais simples a troca de celulares usados também para quem compra pela internet. A empresa brasileira apresentou em outubro uma nova geração de seu sistema de avaliação por inteligência artificial: o diagnóstico, que antes levava em média 15 minutos, agora pode ser concluído em três, a partir de quatro fotos do aparelho. A tecnologia já é usada em mais de 2,5 mil pontos de venda, segundo a companhia.

A mudança importa porque o trade-in depende de uma avaliação rápida e confiável para definir quanto o aparelho usado vale como parte do pagamento de outro. Se o processo conseguir sair do balcão e funcionar a distância, pode ampliar as opções de troca para consumidores que não têm uma loja participante por perto — embora a expansão digital ainda esteja prevista para 2027.

Como as imagens se transformam em preço

O sistema examina as fotografias para identificar danos estéticos, classificar o estado de conservação e estimar os descontos correspondentes. A Renov afirma que o algoritmo cruza mais de cem combinações de critérios, considerando o modelo do telefone e o componente afetado. A equipe de loja recebe instruções para refazer imagens borradas ou inadequadas à análise.

Uma dificuldade é separar defeitos reais de efeitos causados pela captura. Reflexos e faixas de luz na tela, por exemplo, podem se parecer com marcas ou linhas no display. A ferramenta foi desenvolvida para reconhecer situações desse tipo e, conforme a empresa, não exige uma câmera de alta resolução. A padronização busca reduzir diferenças entre avaliações feitas por vendedores com níveis distintos de experiência técnica.

O próximo passo é levar a troca para casa

A Renov planeja oferecer o processo em canais digitais a partir de 2027. Nesse formato, o cliente faria as fotos em casa, receberia um crédito para usar no site de um varejista parceiro e enviaria o aparelho usado de volta. A companhia prevê estruturar a logística reversa com apoio dos Correios, mas a operação ainda é um plano, não um serviço já disponível ao público.

O avanço digital pode eliminar uma etapa presencial, mas exige que a estimativa inicial corresponda à condição real do aparelho quando ele chegar à empresa. A conferência posterior e as regras para eventuais diferenças de preço serão importantes para a confiança do consumidor e para evitar frustrações na conclusão da troca.

Um mercado que busca dar novo uso aos aparelhos

O trade-in conecta quem deseja reduzir o custo de um celular novo a empresas capazes de inspecionar e dar destino ao dispositivo usado. De acordo com a Renov, os aparelhos podem ser encaminhados para revenda, aluguel ou assinatura, reposição em programas de proteção e, quando não houver reaproveitamento viável, reciclagem de componentes. Cada destino depende das condições do equipamento.

O contexto favorece modelos de reaproveitamento: uma estimativa de mercado da PayNXT360 projeta que o recommerce brasileiro — a revenda de produtos usados ou recondicionados — alcance US$ 3,667 bilhões em 2026. O levantamento também aponta expansão do setor nos anos anteriores. Em paralelo, uma reportagem do Valor International citou expectativa de crescimento de 4,5% nas vendas de celulares usados no Brasil em 2026, ante 2025.

Escala e desempenho ainda serão postos à prova

A Renov informou que o volume de aparelhos adquiridos cresceu 320% no primeiro semestre de 2026 em comparação com igual período de 2025. A empresa também projeta aumento de 40% no faturamento em 2027. São números e previsões da própria companhia; a expansão para o comércio eletrônico será um teste concreto para verificar se a avaliação automatizada e a logística conseguem sustentar esse crescimento fora das lojas físicas.

A Renov integra o Grupo Pitzi, que reúne negócios de proteção, aluguel e circulação de smartphones. Se a etapa online funcionar como planejado, o consumidor poderá usar o próprio aparelho para iniciar a troca, enquanto varejistas ganham um canal adicional de crédito e aquisição de dispositivos usados. O resultado dependerá de avaliações consistentes, valores claros e um processo de devolução simples.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.mobiletime.com.br/noticias/26/10/2026/ia-renov-trade-in-avalia/
  2. https://www.paynxt360.com/report-store/view/Brazil-recommerce-market-analysis-2026
  3. https://valorinternational.globo.com/business/news/2026/04/27/consumers-shift-to-used-smartphones-in-brazil-and-globally.ghtml
  4. https://www.cartacapital.com.br/do-micro-ao-macro/ia-troca-smartphones-usados
  5. https://jwnews.com.br/2026/09/21/ia-revoluciona-troca-de-celulares-usados-e-impulsiona-crescimento-de-320-no-mercado-de-trade-in/