Redata: Rystad rebaixa projeção de capacidade para 6,7 GW até 2035

Redata: Rystad rebaixa projeção de capacidade para 6,7 GW até 2035

O decreto que definirá os critérios do incentivo ainda não foi publicado, e permanecem dúvidas sobre o uso de gás natural e o acesso à rede elétrica.

Redação ·

A previsão de novos data centers no Brasil encolheu: a Rystad Energy calcula agora que 6,7 gigawatts (GW) de projetos devem sair do papel até 2035, ante uma carteira potencial de 20,8 GW. A revisão, divulgada em análise atualizada em 4 de novembro, considera riscos regulatórios e dificuldades para garantir conexão e fornecimento de energia.

A diferença importa: os 20,8 GW representam projetos mapeados inicialmente, não instalações já contratadas ou em construção. A estimativa de 6,7 GW é a parcela que a consultoria considera viável após ponderar os riscos. Mais de 10 GW da carteira foram classificados como de alto risco; quase 10 GW, como de risco médio. Se forem considerados apenas os projetos de baixo risco, a capacidade instalada no país ficaria praticamente estável na próxima década, segundo a Rystad.

A regra de energia ainda está em aberto

O Redata, regime de incentivos fiscais para serviços de data center, foi sancionado em 15 de setembro, como Lei nº 15.504/2026. Mas a regulamentação detalhada ainda dependia de decreto presidencial quando a análise foi publicada. Entre os pontos pendentes está definir como serão aplicados os critérios de energia de fontes renováveis ou de “baixa emissão”.

A proposta original do governo previa que os centros contratassem toda a energia de fontes renováveis. Durante a tramitação, o texto passou a mencionar fontes de baixa emissão. O Ministério de Minas e Energia defendeu publicamente que projetos abastecidos por gás natural possam se enquadrar; já a Fazenda tem defendido limites ou compensações para o combustível fóssil, segundo fontes ouvidas pelo Brazil Journal. Sem os critérios oficiais, investidores ainda não sabem com clareza quais projetos poderão acessar os benefícios.

Energia firme e conexão também pesam

A Rystad aponta outro obstáculo: os data centers disputam espaço para se conectar à rede elétrica, e pode haver limitações no acesso a energia firme — fornecimento confiável e disponível quando necessário. Para instalações de grande escala, a capacidade de obter energia e conexão é parte central da decisão de investimento, não apenas um detalhe operacional.

A consultoria também vê definições regulatórias adicionais como necessárias para destravar projetos de hyperscale, instalações de computação em escala muito grande. A perspectiva, portanto, depende tanto da publicação das regras do Redata quanto de como os órgãos reguladores tratarão os requisitos técnicos. Até a data da análise, nenhum novo projeto havia sido anunciado na esteira do regime.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://braziljournal.com/por-que-a-euforia-com-os-data-centers-ja-corre-risco
  2. https://www.rystadenergy.com/insights/brazils-data-centers-after-the-vote-execution-takes-center-stage
  3. https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/setembro/regime-especial-de-tributacao-para-servicos-de-datacenter-e-sancionado
  4. https://www.bmalaw.com.br/conteudo/energia/informativos-e-newsletters/redata-pl-2782026-senado-aprova-regime-especial-de-tributacao-para-data-centers-e-mme-sinaliza-espaco-para-o-gas-natural