Projeto da Vitalforce encontra Pratylenchus em 87,5% das amostras analisadas

Projeto da Vitalforce encontra Pratylenchus em 87,5% das amostras analisadas

Levantamento do Caçadores de Nematoides avaliou propriedades no Centro-Oeste e registrou o organismo em todas as regiões visitadas, mas não representa todo o bioma.

Redação ·

Em muitas lavouras, o prejuízo começa abaixo da superfície e só aparece quando as plantas já perderam vigor. Um levantamento do projeto Caçadores de Nematoides, ligado à Vitalforce, encontrou Pratylenchus brachyurus em 87,5% das amostras coletadas em propriedades visitadas no Centro-Oeste. O resultado foi divulgado em 2 de novembro de 2026 e serve como alerta para as áreas avaliadas — não como retrato de toda a região.

O que os números mostram — e o que não mostram

A iniciativa percorreu dezenas de propriedades em áreas produtoras de grãos. Segundo os dados apresentados pelo projeto, o nematoide apareceu em todas as regiões visitadas. Entre as amostras por cultura, houve resultado positivo em 34 de 36 amostras de milho e em 17 de 18 de algodão, o equivalente a 94,4% em cada grupo. Considerando diferentes espécies de Pratylenchus, a frequência informada foi de 91,3%.

Esses percentuais descrevem somente o material analisado. Como a coleta não foi apresentada como uma amostragem estatística representativa do Centro-Oeste, não dá para concluir que a mesma proporção se repita em todas as fazendas ou municípios. A distinção importa: um levantamento de campo pode sinalizar um problema e orientar novas investigações, mas não substitui uma estimativa regional de prevalência.

Por que identificar a espécie faz diferença

Nematoides são organismos microscópicos que atacam raízes. Dependendo da espécie e da intensidade da infestação, podem comprometer a absorção de água e nutrientes. Na parte aérea, os sinais — como manchas de plantas menores ou amareladas — não são exclusivos desse problema. Falta de água, desequilíbrio nutricional e compactação do solo também podem produzir sintomas parecidos.

Por isso, olhar apenas para a folhagem pode levar a uma resposta incompleta. A diagnose costuma exigir coleta adequada de solo e raízes e análise em laboratório. O resultado ajuda a identificar qual organismo está presente e em que quantidade, informações necessárias para escolher medidas de manejo em vez de tratar às cegas.

A dimensão do dano também varia. Recomendações técnicas da Embrapa citam perdas mundiais na soja na faixa de 10% a 15%, mas ressaltam que espécie, nível de infestação, cultivar, clima e características do solo alteram o resultado. Esse intervalo não deve ser aplicado automaticamente a uma propriedade específica nem a outras culturas.

Manejo não é receita única

Com a identificação em mãos, o produtor pode avaliar alternativas como rotação de culturas, cultivares resistentes ou tolerantes e controle químico ou biológico, conforme o nematoide e a cultura. A rotação, por exemplo, depende de saber quais plantas servem de hospedeiras para a espécie encontrada; uma escolha inadequada pode não reduzir a população.

A observação das raízes e o monitoramento periódico ajudam a reconhecer mudanças entre safras. O levantamento da Vitalforce reforça a presença frequente do organismo nas amostras que analisou, mas não mede perdas de produtividade nem demonstra que todas as propriedades estejam infestadas. Para o agricultor, o passo prático é investigar cada talhão e combinar a análise laboratorial com orientação técnica antes de decidir o manejo.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/diagnostico-e-o-primeiro-passo-para-reduzir-perdas-por-nematoides/
  2. https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1183120/1/Indicacoes2025.pdf
  3. https://www.embrapa.br/web/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/soja/producao/doencas-da-soja/doencas-causadas-por-nematoides/nematoide-das-lesoes
  4. https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1178084/1/37778.pdf