Plerdy SEO Tracker virou canal de spyware para celulares desatualizados
Pesquisadores apontam que páginas que carregavam o serviço foram usadas para distribuir códigos maliciosos; outras operações exploraram domínios de publicidade abandonados.
Redação ·
Uma ferramenta de análise de tráfego de sites acabou envolvida em uma campanha de espionagem digital contra celulares. Pesquisadores da Sekoia relataram que criminosos adulteraram temporariamente o Plerdy SEO Tracker, serviço usado por páginas da internet, para tentar infectar aparelhos Android e iPhones vulneráveis.
A campanha foi descrita em relatórios divulgados nesta semana. Segundo a investigação, o código malicioso foi inserido no serviço entre 27 de agosto e 3 de setembro. Como muitos sites carregavam automaticamente esse recurso, visitantes podiam ser direcionados à cadeia de ataque ao abrir uma página comprometida. A atividade foi associada ao grupo APT29, mas essa atribuição é apresentada por pesquisadores, não como confirmação independente definitiva.
Como o ataque chegava ao celular
No Android, a campanha mirava versões específicas do navegador Chrome. A análise da Sekoia aponta que, se o aparelho e o navegador fossem vulneráveis, a cadeia podia executar código e buscar dados de navegação e senhas de redes Wi-Fi. O relatório descreve o uso de uma ferramenta de espionagem chamada AndroSnitch.
Nos iPhones, outras investigações detalharam kits de exploração conhecidos como Coruna e DarkSword. Eles podiam explorar falhas em versões antigas do iOS e, em determinados casos, tentar acessar informações como mensagens, fotos, arquivos e credenciais. Os pesquisadores alertam que uma página preparada para o ataque podia iniciar a exploração sem exigir que a pessoa instalasse um aplicativo.
Há, porém, operações distintas nesse quadro. Relatórios sobre Coruna e DarkSword também registraram domínios antigos de publicidade e estatísticas que foram comprados novamente e usados para redirecionar visitantes. Isso não significa que todos esses domínios, os kits para iPhone e o comprometimento do Plerdy façam parte de uma única operação: são vetores investigados separadamente, ainda que possam envolver técnicas de exploração semelhantes.
O que fazer para reduzir o risco
A recomendação central é instalar as atualizações do sistema operacional e do navegador assim que estiverem disponíveis. As falhas descritas atingem versões determinadas; manter o aparelho atualizado reduz a exposição a vulnerabilidades já corrigidas pelos fabricantes.
Também vale atualizar os aplicativos e evitar continuar usando versões antigas de sistemas que já não recebem correções. A campanha mostra como um site conhecido pode carregar componentes de terceiros e, sem que o visitante perceba, tornar-se parte de uma cadeia de ataque.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.estadao.com.br/tecmundo/ciberseguranca/campanha-criminosa-usa-falhas-antigas-para-invadir-celulares-android/
- https://www.sekoia.com/blog/poisoned-source-apt29-watering-holes-targets-mobile-devices-with-n-day-exploits
- https://blog.report-uri.com/deadtag-how-forgotten-website-tags-became-a-delivery-network-for-iphone-spyware/
- https://www.iverify.com/blog/coruna-darksword-iphone-exploits
- https://zimperium.com/blog/inside-coruna-and-darksword-chains-from-web-lures-to-ios-exploitation