Planos solares podem ganhar prazo mínimo de 12 meses sob proposta da Aneel

Planos solares podem ganhar prazo mínimo de 12 meses sob proposta da Aneel

Técnicos da agência também sugerem mudanças na divisão dos créditos e apontam que subsídios à micro e minigeração somaram R$ 14,2 bilhões até setembro.

Redação ·

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avalia mudanças nas regras da energia solar por assinatura, modelo que permite a consumidores receber créditos de usinas compartilhadas. As propostas ainda estão em análise técnica: entre elas, há prazo mínimo de 12 meses nos planos e novas condições para distribuir a energia entre os participantes.

A discussão importa para quem usa esse tipo de serviço e para as empresas que o oferecem. Se as sugestões avançarem, a gestão dos créditos e a saída de clientes podem ficar menos flexíveis. Por enquanto, porém, não há regra aprovada nem mudança imediata para os assinantes.

O que a agência quer rever

A área técnica da Aneel questiona os descontos fixos oferecidos por empresas, que costumam variar de 5% a 20% na conta de luz. Na avaliação dos servidores, esse formato pode se afastar da lógica prevista para a geração compartilhada, em que os consumidores dividiriam os resultados das usinas conforme a energia produzida.

As recomendações incluem critérios mais restritos para o rateio da geração e a permanência mínima de um ano. Também foi sugerida uma carência para quem sair do plano e quiser voltar. São propostas de técnicos, não decisões da diretoria da agência; ainda devem passar por análise e consulta pública.

O modelo ganhou espaço entre empresas de diferentes setores. Grupos de energia, bancos, companhias de telecomunicações e até a Heineken passaram a atuar no segmento, diretamente ou por meio de parceiros. A expansão levou a Aneel a discutir se o sistema continua servindo principalmente para compartilhar energia entre consumidores ou se, em parte dos casos, funciona como uma oferta comercial estruturada.

A conta dos subsídios também pesa

As usinas de geração distribuída recebem benefícios relacionados ao uso da rede elétrica. Segundo os dados citados na reportagem, os subsídios à micro e minigeração chegaram a R$ 14,2 bilhões até setembro deste ano, ante R$ 2,8 bilhões em 2022. Esse total inclui também sistemas instalados em telhados, não apenas usinas ligadas a planos de assinatura.

O Tribunal de Contas da União já havia cobrado da Aneel medidas para aprimorar a regulação da geração compartilhada. Em documentos sobre o tema, o TCU aponta riscos de fracionamento irregular de empreendimentos e de uso indevido de benefícios tarifários. Essa cobrança ajuda a explicar por que a agência revisita as regras, mas não significa que as recomendações atuais já tenham sido adotadas.

A discussão pode afetar contratos e investimentos se virar norma. Especialistas ouvidos pelo Brazil Journal divergem sobre o efeito: há quem veja uma forma de reduzir instabilidade e quem tema aumento de custos e dificuldades operacionais para as empresas. A própria Aneel ainda precisa decidir o que fazer com as sugestões, e eventual mudança não foi apresentada como retroativa.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://braziljournal.com/energia-solar-por-assinatura-no-radar-da-aneel-o-que-pode-mudar
  2. https://portal.tcu.gov.br/data/files/2D/33/74/AC/C66E091030E47CF8F18818A8/005.710-2024-3-AAA%20-%20REPR_Aneel_micro_minigeracao_energia%20_1_.pdf
  3. https://sites.tcu.gov.br/listadealtorisco/sustentabilidade_tarifaria_de_energia_eletrica.html