Pesquisa da Georgetown aponta discriminação racial vivida por fiéis em comunidades católicas dos EUA

Pesquisa da Georgetown aponta discriminação racial vivida por fiéis em comunidades católicas dos EUA

O levantamento ouviu 2.401 adultos e encontrou relatos de discriminação em paróquias e escolas ligadas à Igreja.

Redação ·

Uma pesquisa nacional conduzida pelo Center for Applied Research in the Apostolate (CARA), da Universidade Georgetown, mostra que experiências de discriminação racial também alcançam comunidades católicas nos Estados Unidos. Entre 2.401 adultos que se identificaram como católicos, 39% disseram ter enfrentado preconceito racial em algum momento da vida. O levantamento foi divulgado em 26 de outubro e inclui relatos ligados a paróquias e instituições de ensino católicas.

O resultado chama atenção por aproximar um problema social amplo da experiência cotidiana de fiéis em espaços religiosos. Embora a maioria dos entrevistados reconheça que discriminar alguém por raça ou etnia contraria os ensinamentos da Igreja, os dados revelam distância entre esse princípio e o que parte dos católicos afirma ter vivido.

As experiências não se distribuem igualmente

Os percentuais variam de forma expressiva entre grupos. Entre católicos indígenas, 75% relataram discriminação racial ao longo da vida. O índice chega a 66% entre os negros e a 54% tanto entre hispânicos quanto entre asiáticos. Os católicos brancos não hispânicos aparecem com menor incidência, embora o material divulgado não apresente um percentual específico para esse grupo.

Os relatos não se limitam a situações externas à Igreja. Dez por cento dos participantes disseram ter passado por discriminação em sua comunidade paroquial, e 11% mencionaram instituições educacionais católicas. Entre católicos negros, 26% relataram experiências de exclusão no ambiente paroquial ou em escolas ligadas à Igreja, segundo os dados divulgados pela reportagem.

O que os fiéis percebem ao seu redor

A pesquisa também perguntou sobre a presença de racismo nas comunidades locais, diferenciando manifestações implícitas — associadas a obstáculos e desigualdades — de atos explícitos, como insultos ou tratamento discriminatório direto. Dezenove por cento disseram que o racismo explícito está muito presente onde vivem; 17% fizeram a mesma avaliação sobre formas implícitas.

As respostas mostram que a percepção não é uniforme. Fiéis negros tendem a identificar o problema com mais frequência, enquanto católicos brancos são menos propensos a dizer que ele está presente. Essa diferença importa porque a discussão institucional não depende apenas de normas formais: envolve também reconhecer situações que podem passar despercebidas por quem não é diretamente afetado.

Princípios reconhecidos, respostas ainda necessárias

Três quartos dos entrevistados concordaram que excluir, ridicularizar ou maltratar alguém por sua raça ou etnia é pecaminoso. Além disso, 73% consideraram que permanecer omisso diante de injustiças raciais também pode constituir uma falha moral. Os números indicam que a condenação ética é amplamente compartilhada, mas não demonstram, por si só, que essa convicção se traduza em mudanças nas comunidades.

Para 67% dos participantes, combater o racismo requer enfrentar políticas e barreiras institucionais que mantêm desigualdades sociais e econômicas, e não apenas reprovar atos individuais. Essa percepção sugere frentes de atuação que podem incluir formação, revisão de práticas locais e canais mais claros para que fiéis relatem discriminação. A pesquisa, contudo, não anuncia um plano específico da Igreja nem estabelece quais medidas serão adotadas.

Um retrato para orientar o debate

Os resultados oferecem às paróquias, escolas e lideranças católicas um retrato de experiências que, segundo os próprios participantes, persistem em ambientes de fé. A diferença entre o reconhecimento geral de que o racismo é errado e os relatos de quem o vivenciou aponta para um desafio prático: fazer com que a inclusão seja percebida nas relações e nas instituições, e não apenas afirmada como princípio.

O estudo não permite concluir que todos os católicos tenham a mesma experiência, nem que os percentuais representem a frequência de episódios recentes: a pergunta sobre discriminação abrangeu a vida inteira dos entrevistados. Ainda assim, os dados dão dimensão nacional às respostas e podem servir de referência para futuras avaliações sobre como comunidades religiosas acolhem fiéis de diferentes origens.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/quase-40-por-cento-dos-catolicos-americanos-relatam-sofrer-racismo/
  2. https://www.cathstan.org/us-world/report-4-in-10-catholics-have-experienced-racism
  3. https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/39-dos-catolicos-ja-sofreram-discriminacao-racial-revela-pesquisa/