Peças e reparos põem à prova as marcas chinesas no mercado brasileiro

Peças e reparos põem à prova as marcas chinesas no mercado brasileiro

Ordens de serviço dessas montadoras cresceram 106% entre o início de 2025 e o segundo trimestre de 2026, enquanto as de marcas tradicionais avançaram 7%.

Redação ·

A próxima etapa da expansão das montadoras chinesas no Brasil não depende só de vender carros novos: também será preciso atender bem quem já comprou. A reportagem publicada em 29 de outubro aponta que a frota ainda é jovem e, por isso, a manutenção hoje se concentra em revisões mais simples. O desafio tende a crescer conforme os veículos envelhecem e precisam de reparos mais especializados.

A oficina vira parte da experiência de compra

O pós-venda inclui desde a disponibilidade de peças até o diagnóstico, o conserto e as atualizações de software. Em carros híbridos e elétricos, esse atendimento exige conhecimento de sistemas eletrônicos e componentes específicos. Se uma peça não está no país ou a oficina não consegue identificar rapidamente a falha, o carro pode passar mais tempo parado — e o custo para o dono não se limita ao valor do reparo.

Um levantamento citado na cobertura registrou aumento de 106% nas ordens de serviço de carros chineses entre o primeiro trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026. Para as marcas tradicionais, a alta foi de 7% no mesmo intervalo. Isso não prova, por si só, que os veículos chineses quebrem mais: a frota cresceu e, com ela, também o volume de atendimentos.

A diferença aparece no tempo de oficina. O reparo levou, em média, 8,25 horas nos modelos chineses e 4,64 horas nos tradicionais. Já o período entre a entrada do veículo e a entrega foi de 85 horas, ante 30,4 horas. A demora pode refletir gargalos de diagnóstico ou de peças, e não necessariamente o tempo de trabalho direto do mecânico.

Como a assistência chega ao valor de revenda

Na hora de comprar um usado, muita gente considera quanto custa manter o veículo e se será fácil consertá-lo. Um histórico de atendimento lento ou a dúvida sobre a disponibilidade de componentes pode reduzir o interesse de compradores e lojistas. Isso afeta a liquidez — a facilidade de vender — e pode pressionar o preço, mesmo que o carro esteja em boas condições.

Há outro fator: o preço do zero-quilômetro. Quando uma montadora baixa o valor de um modelo novo, o seminovo equivalente perde parte da vantagem de preço e tende a sofrer ajustes. Um caso citado no mercado foi o BYD Song Plus, cuja tabela caiu de cerca de R$ 270 mil para R$ 230 mil entre a virada de 2023 para 2024. Essa redução não representa uma regra para todas as marcas ou modelos, mas mostra como decisões comerciais podem mexer rapidamente com a referência dos usados.

O que ainda precisa ser demonstrado

A experiência de outros mercados também serve de alerta, mas não deve ser confundida com uma previsão automática para o Brasil. Dados citados sobre a China indicaram que elétricos com três anos de uso retinham, em média, 42% do valor original no fim de 2025. O resultado brasileiro dependerá de fatores próprios, como oferta de oficinas, peças, procura por cada modelo e evolução dos preços dos carros novos.

Garantias longas podem reduzir a preocupação durante os primeiros anos, mas não resolvem tudo: é preciso conferir quais componentes estão cobertos e por quanto tempo. Para consolidar a confiança, as fabricantes terão de manter assistência e peças disponíveis ao longo da vida útil dos veículos, além de dar previsibilidade ao suporte eletrônico. Para quem pensa em comprar um carro chinês — novo ou usado —, esses itens entram na conta junto com autonomia, consumo e preço.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.gazetadopovo.com.br/automoveis/fabricantes-chinesas-encaram-desafio-de-manter-carros-usados-no-brasil/
  2. https://www.gazetadopovo.com.br/automoveis/carros-chineses-teste-pos-venda-a-medida-que-envelhecem/
  3. https://www.gazetadopovo.com.br/automoveis/brasil-enfrenta-gargalos-na-manutencao-e-revenda-de-carros-eletricos/
  4. https://www.gazetadopovo.com.br/automoveis/onda-chinesa-reduz-precos-de-carros-a-combustao-e-muda-estrategia-das-montadoras