Mansueto Almeida vê risco para os juros sem direção fiscal até 2027
O economista do BTG Pactual avalia que controlar despesas e definir a equipe econômica pode influenciar dólar, Bolsa e decisões do Banco Central.
Redação ·
A falta de uma sinalização clara sobre as contas públicas pode pesar nas decisões de juros e nas expectativas dos investidores. Mansueto Almeida, economista-chefe e sócio do BTG Pactual, defendeu em entrevista nesta quinta-feira, 29 de outubro, que o governo Lula apresente um plano fiscal antes do início de 2027, com apoio político para controlar o avanço das despesas.
A avaliação não se resume a cortar gastos de forma abrupta. Para Almeida, o ponto central é mostrar como o governo pretende conter as despesas obrigatórias e dar previsibilidade à trajetória fiscal. Sem essa indicação, investidores podem continuar exigindo prêmios maiores para financiar o país, o que tende a manter pressão sobre juros de longo prazo e câmbio.
O efeito pode chegar à política de juros
A discussão fiscal importa também para a política monetária. Quando o mercado duvida que a dívida pública ficará sob controle, cresce a preocupação com inflação e com a necessidade de manter juros altos por mais tempo. Esse cenário pode reduzir o espaço para o Banco Central cortar a Selic, mesmo que outros indicadores econômicos apontem uma desaceleração.
Mansueto avaliou que o ciclo de redução dos juros pode estar perto do fim caso não apareça um plano confiável para as despesas. A fala é uma leitura de cenário, não uma decisão do Banco Central: a Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária, que considera um conjunto de dados, como inflação, atividade e expectativas.
Para quem toma crédito, a diferença não é abstrata. Juros básicos elevados costumam encarecer financiamentos e empréstimos, embora o custo final também dependa do perfil do cliente e das condições de cada instituição. No mercado, a incerteza fiscal pode se refletir ainda em títulos públicos, câmbio e ações.
O que o mercado espera ver
Além das medidas, a composição da equipe econômica para o próximo mandato é parte do sinal que os investidores acompanham. Almeida considera importante que o presidente, os ministros e a articulação política no Congresso deem sustentação às diretrizes. Um plano anunciado sem apoio para ser executado pode não convencer por muito tempo.
O debate ocorre enquanto o país se aproxima da transição para 2027. A regra fiscal em vigor estabelece limites para o crescimento das despesas, mas as avaliações de mercado também observam se as metas serão cumpridas e como o governo lidará com gastos obrigatórios, que têm menor margem para cortes discricionários. A escolha do próximo time econômico e as medidas que serão apresentadas devem ajudar a definir essas expectativas.
Sem promessa de reação automática
Um plano considerado consistente poderia melhorar a percepção de risco e favorecer ativos brasileiros, segundo a avaliação de Almeida. Isso não significa que dólar e juros cairiam automaticamente: os preços também respondem ao cenário internacional, à inflação, às decisões do Banco Central e à execução efetiva das medidas.
O ponto prático é que a discussão sobre o orçamento não fica restrita a Brasília ou à Bolsa. Ela pode influenciar o custo do crédito e as condições financeiras do país. Por enquanto, a proposta defendida pelo economista é uma cobrança por definição e coordenação política; não foi apresentada na entrevista como um pacote oficial já aprovado pelo governo.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/economia/economista-chefe-do-btg-cobra-plano-fiscal-de-lula-para-recuperar-confianca-do-mercado/
- https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/lucinda-pinto/economia/money/macroeconomia/mansueto-ajuste-fiscal-nao-exige-cortes-profundos-mas-controle-dos-gastos/
- https://www.moneytimes.com.br/possivelmente-o-ciclo-de-corte-de-juros-no-brasil-acabou-avalia-mansueto-almeida-do-btg-apsa/
- https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2026/10/29/mansueto-desafio-de-curto-prazo-e-fiscal-e-sinal-do-governo-eleito-guiara-juros-e-inflacao.amp.htm
- https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/10/29/sem-plano-de-controle-do-gasto-publico-ciclo-de-corte-de-juros-acaba-este-ano-diz-mansueto-almeida.ghtml