Lula amplia força na capital e na Grande São Paulo, mas interior sustenta Flávio

Lula amplia força na capital e na Grande São Paulo, mas interior sustenta Flávio

Na capital, o petista chegou a 55,5% dos votos válidos; no conjunto do estado, Flávio Bolsonaro terminou com 53,8%.

Redação ·

A distribuição dos votos em São Paulo expôs duas dinâmicas distintas no segundo turno presidencial de 25 de outubro: Luiz Inácio Lula da Silva cresceu na capital e na região metropolitana, enquanto Flávio Bolsonaro manteve larga vantagem no interior. O contraste ajuda a explicar por que Lula venceu a eleição nacional, mas não conseguiu virar o resultado no maior colégio eleitoral do país.

No estado, Flávio recebeu 53,8% dos votos válidos, ante 46,2% de Lula. Ainda assim, a diferença entre os dois encolheu de cerca de 3,4 milhões de votos no primeiro turno para aproximadamente 2 milhões no segundo. A mudança ocorreu sobretudo na área metropolitana, não nas cidades interioranas.

A capital mudou a escala da disputa

Na cidade de São Paulo, Lula terminou com 55,5% dos votos válidos, ante 44,5% de Flávio. O petista acrescentou cerca de 766 mil votos entre as etapas da eleição, mais que o dobro do avanço do adversário, que recebeu aproximadamente 337 mil votos adicionais. O crescimento também apareceu nas zonas eleitorais: levantamentos sobre a capital apontaram viradas em oito delas, ampliando a vantagem territorial de Lula.

O movimento não significou uma migração uniforme do eleitorado. Em 24 das 57 zonas eleitorais analisadas houve voto casado em Lula para presidente e Tarcísio de Freitas para governador, segundo levantamento publicado após a apuração. O dado indica que parte dos eleitores separou a escolha para os dois cargos, em vez de seguir uma única combinação partidária.

Na região metropolitana, o placar virou

Nas cidades da Grande São Paulo fora da capital, Lula passou de 43,3% no primeiro turno para 52,1% no segundo. Flávio, que começara à frente nessa área, terminou com 47,9%. O presidente eleito também ampliou o número de municípios metropolitanos em que ficou na dianteira, com viradas registradas, entre outras cidades, em Osasco e Cotia.

As diferenças locais mostram como o resultado se alterou de forma desigual. Em Osasco, a vantagem que Flávio havia aberto no primeiro turno foi substituída por uma dianteira de Lula; em Guarulhos, o senador continuou vencendo, mas por uma margem bem menor. No ABC paulista, o avanço do petista também se ampliou, inclusive em São Bernardo do Campo, cidade ligada à sua trajetória sindical.

Interior preservou vantagem ampla

Fora da capital e da Grande São Paulo, Flávio elevou sua participação de 59,2% para 60,9% dos votos válidos. Lula também cresceu no interior, mas em patamar inferior: passou de 32% para 39,1%. O senador venceu em centros regionais como Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba e São José dos Campos, além de manter folga em municípios do oeste e do noroeste paulista.

O saldo estadual, portanto, não se explica por uma simples disputa entre capital e interior. A força de Flávio nas cidades interioranas compensou o avanço de Lula nos maiores centros urbanos e na região metropolitana. Mesmo assim, Lula aumentou de 39 para 72 o número de municípios paulistas em que venceu, entre os 645 do estado.

O que os números ajudam a entender

A votação reforça que o crescimento de um candidato em áreas populosas pode reduzir uma diferença sem necessariamente revertê-la no conjunto estadual. Em São Paulo, o avanço de Lula concentrou-se em territórios com grande peso eleitoral, enquanto Flávio conservou uma base espalhada por boa parte do interior. A abstenção estadual também caiu, de 22,5% para 19,8%, entre os turnos; o número, porém, não permite concluir sozinho em quem votaram os eleitores que retornaram às urnas.

Para além do placar, a distribuição municipal mostra que a eleição teve padrões regionais diferentes e que o eleitorado paulista não se comportou como um bloco único. A combinação entre votação presidencial e escolha para o governo estadual, observada em zonas da capital, acrescenta outra camada: alinhamentos políticos podem variar conforme o cargo disputado.

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  1. https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/sao-paulo-2026/mapa-voto-sao-paulo-lula-segundo-turno/
  2. https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/10/26/lula-amplia-vitorias-em-sp-de-39-para-72-cidades-no-2o-turno-flavio-bolsonaro-vence-em-573.ghtml
  3. https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/10/26/lula-e-tarcisio-tem-voto-casado-em-24-zonas-eleitorais-da-capital-paulista.ghtml
  4. https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/10/26/lula-vira-em-osasco-cotia-e-mais-cinco-cidades-e-vence-em-21-dos-39-municipios-da-grande-sp.ghtml