Likud lidera em Israel, mas Netanyahu ainda depende de alianças
O partido conquistou 27 cadeiras, enquanto o bloco ligado ao premiê ficou com 53 das 120 vagas no Knesset.
Redação ·
A eleição israelense deixou um recado duplo: o Likud, partido de Benjamin Netanyahu, terminou como a maior força, mas não reuniu apoio suficiente para governar sozinho. Em 29 de outubro, o presidente argentino Javier Milei parabenizou o premiê pelo resultado e reafirmou a aliança entre Argentina e Israel, mesmo antes de estar definido quem formará o próximo governo.
A Comissão Eleitoral Central divulgou os números finais na sexta-feira, 30 de outubro. O Likud ficou com 27 cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense, enquanto o Yashar, do opositor Gadi Eisenkot, conquistou 21. O bloco de partidos alinhados a Netanyahu somou 53 assentos — oito a menos que os 61 necessários para alcançar maioria na Casa, que tem 120 integrantes.
Vitória do partido não fecha a conta
A publicação de Milei no X chamou o desempenho do Likud de “grande eleição” e destacou que o partido voltou a ser a principal força política de Israel. O presidente argentino também elogiou a liderança de Netanyahu e disse que os dois países continuariam aliados estratégicos.
Mas liderar a votação não equivale a ter garantido o governo. Com 53 cadeiras, Netanyahu precisa negociar com outras forças para tentar montar uma coalizão que alcance a maioria. O bloco opositor somou 48 assentos, e dois partidos árabes ficaram com os 19 restantes. A composição desses grupos pode pesar nas conversas, embora a eleição, por si só, não determine como cada partido vai agir nas negociações.
O que vem pela frente
A formação de governos de coalizão é parte central da política parlamentar israelense: um partido pode vencer em número de cadeiras e ainda depender de acordos para sustentar um gabinete. As conversas das próximas semanas devem mostrar se Netanyahu consegue reunir apoio suficiente ou se o impasse leva a uma nova eleição. O novo Knesset tem posse prevista para 10 de novembro.
O resultado também precisa ser lido à luz do cenário político israelense. A votação foi a primeira eleição nacional desde os ataques de 7 de outubro de 2023, e a permanência de Netanyahu no poder era um dos pontos em disputa. Ainda assim, os números divulgados não resolvem por si só a questão de quem governará: essa resposta depende dos acordos parlamentares que ainda serão negociados.
O contraste com Lula
A manifestação de Milei ganhou atenção também pelo contraste com a ausência de uma mensagem pública semelhante a Luiz Inácio Lula da Silva após a eleição brasileira de 25 de outubro. O governo argentino justificou que não parabenizou Lula porque, segundo sua versão, o brasileiro não teria feito o mesmo quando Milei venceu a eleição argentina de 2023.
Há, porém, um detalhe importante nessa justificativa: Lula publicou na época uma mensagem desejando “boa sorte e êxito ao novo governo” argentino. O episódio ajuda a entender a diferença de tratamento diplomático, mas não prova que o gesto a Netanyahu tenha sido uma resposta direta à relação com o presidente brasileiro. O que está documentado é que Milei elogiou publicamente o resultado do Likud e reiterou a parceria com Israel, enquanto as negociações para formar o governo israelense continuam em aberto.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/apos-ignorar-lula-milei-parabeniza-netanyahu-votacao-israel/
- https://www.france24.com/en/middle-east/20261029-live-israeli-elections-are-coming-to-a-close-with-no-majority-to-be-seen
- https://www.timesofisrael.com/liveblog_entry/argentinas-milei-congratulates-netanyahu-on-great-victory-at-election/
- https://www.timesofisrael.com/netanyahu-faces-reckoning-for-october-7-in-israels-first-vote-since-attack/