No Dia de Todos os Santos, Leão XIV aproxima santidade da vida cotidiana

No Dia de Todos os Santos, Leão XIV aproxima santidade da vida cotidiana

No Angelus de 1º de novembro, na Praça de São Pedro, o papa também recordou a beatificação de cinco franciscanos em Savannah, nos Estados Unidos.

Redação ·

A santidade não aparece apenas em biografias de figuras canonizadas. Na reflexão do Angelus deste domingo, 1º de novembro, na Praça de São Pedro, o papa Leão XIV disse que esse caminho está aberto a todos e se constrói nas escolhas de cada pessoa, em qualquer lugar ou condição de vida. A celebração de Todos os Santos, afirmou, também inclui quem viveu com fé sem receber reconhecimento formal da Igreja.

A ideia muda o foco da data: em vez de olhar só para nomes conhecidos, a Igreja lembra uma multidão de pessoas cuja trajetória não foi registrada em processos de canonização. Leão XIV apresentou a festa como um convite para pensar em ações de cuidado e generosidade que, embora nem sempre ganhem visibilidade, ajudam a formar a vida em comunidade.

Uma celebração que vai além dos nomes do calendário

O calendário católico reserva 1º de novembro a Todos os Santos. A data homenageia os santos reconhecidos oficialmente, mas também é dedicada a pessoas consideradas santas cuja história permanece desconhecida do público. A canonização, portanto, não é apresentada como a única medida de uma vida de fé.

Durante a fala, Leão XIV citou a encíclica Spe salvi, de Bento XVI, e descreveu os santos como pessoas movidas pela esperança e pelo amor. O papa relacionou essa atitude a escolhas concretas, em oposição à ganância e à arrogância. A mensagem não trata a santidade como um título a conquistar, mas como uma vocação que se expressa no cotidiano.

Na prática, isso desloca a conversa para gestos comuns: como alguém trata o próximo, participa da comunidade e responde a situações difíceis. O papa também pediu que os fiéis promovam a paz tanto em momentos decisivos quanto nas relações do dia a dia. Não se trata de dizer que conflitos se resolvem com gestos individuais, mas de destacar que a convivência também depende de atitudes repetidas e concretas.

A lembrança dos cinco franciscanos da Geórgia

Depois do Angelus, Leão XIV mencionou a beatificação, realizada no sábado, 31 de outubro, em Savannah, nos Estados Unidos, de Pedro de Corpa e outros quatro franciscanos. Os religiosos espanhóis foram mortos em 1597 enquanto atuavam junto ao povo indígena Guale, na região que hoje corresponde à Geórgia. Com a beatificação, a Igreja reconhece oficialmente o martírio deles e permite que sejam venerados como beatos.

O caso ajuda a entender a distinção presente na celebração de 1º de novembro: a beatificação é um reconhecimento formal de pessoas específicas, enquanto Todos os Santos também abre espaço para recordar vidas de fé sem reconhecimento público. São ideias relacionadas, mas não equivalentes.

Paz, ajuda humanitária e vida pública

O papa também comentou uma operação humanitária para apoiar civis em Oleshky e manifestou esperança de que a cooperação entre as partes abra caminho para diálogo e novas iniciativas de paz. Não anunciou um acordo nem detalhou os próximos passos; sua fala foi um apelo para que a colaboração em torno da ajuda às pessoas continue.

Ao reunir esse apelo com a mensagem sobre santidade, Leão XIV conectou a celebração religiosa a questões coletivas: cuidado com os outros, paz e atenção a quem costuma ficar fora dos holofotes. O ponto central de sua reflexão foi que a vida de fé não pertence a um grupo fechado — e que o bem praticado por pessoas anônimas também conta.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/papa-leao-xiv-afirma-que-santidade-nao-e-privilegio-de-poucos-mas-chamado-universal/
  2. https://www.vaticannews.va/en/church/news/2026-10/franciscan-missionaries-beatified-georgia-cardinal-leo.print.html
  3. https://diosav.org/en/diocesan-news/item/georgia-martyrs-to-be-beatified-october-31-2026