Leão XIV põe dignidade do trabalho no centro do debate sobre paz
Na audiência geral de 4 de novembro, no Vaticano, o pontífice também cobrou reformas sociais e atenção a trabalhadores vulneráveis e migrantes.
Redação ·
A dignidade de quem trabalha e a distribuição dos benefícios da economia foram o centro da catequese do papa Leão XIV nesta quarta-feira, 4 de novembro, na Praça de São Pedro, no Vaticano. Ao retomar ensinamentos do Concílio Vaticano II, ele relacionou os desequilíbrios econômicos à ameaça à paz mundial e defendeu que a atividade econômica esteja a serviço das pessoas.
A audiência foi a última antes da viagem do pontífice à América do Sul, prevista para 6 a 17 de novembro. Leão XIV continuou uma série de reflexões sobre a constituição pastoral Gaudium et Spes, documento do Concílio Vaticano II que aborda, entre outros temas, a vida econômica e política.
O trabalho como parte da economia
Para Leão XIV, o trabalho não pode ser tratado como uma peça secundária do sistema econômico. Ele advertiu contra situações em que a atividade laboral prejudique as pessoas, o bem comum ou o meio ambiente. Desemprego, exploração e condições que coloquem em risco a saúde ou a vida dos trabalhadores foram apontados como inaceitáveis.
O papa também defendeu que os trabalhadores participem das decisões que afetam sua atividade e que conflitos sejam enfrentados pelo diálogo e por meios não violentos. A mensagem amplia o foco para além do emprego: trata também de quem tem voz nas decisões e de como os ganhos e custos do desenvolvimento são distribuídos.
Ao comentar o princípio cristão do destino universal dos bens, Leão XIV afirmou que ele se aplica também ao setor financeiro. Pessoas e autoridades que decidem sobre investimentos e planejamento econômico, disse, têm responsabilidade de considerar as necessidades de indivíduos e comunidades e as condições para uma vida digna.
Política, bem comum e paz
A catequese também abordou o papel das instituições públicas. Leão XIV disse que a autoridade política deve buscar o bem comum, considerando as realidades locais e mantendo em vista a família humana como um todo. Igreja e Estado, embora autônomos em suas áreas, podem cooperar no serviço às pessoas, segundo a reflexão baseada na Gaudium et Spes.
O pontífice ainda retomou uma frase de seu antecessor, Francisco, que descreveu a guerra como fracasso da política e da humanidade. Em contraste, pediu uma política capaz de responder às injustiças e ao sofrimento dos povos. A paz, nessa leitura, não depende apenas de acordos entre governos: envolve também as condições sociais e econômicas em que as pessoas vivem.
A reflexão se conecta à tradição da doutrina social católica, que inclui a encíclica Populorum Progressio, de Paulo VI, sobre o desenvolvimento integral. Leão XIV encerrou com um apelo à formação nessa doutrina e à participação dos jovens na vida pública.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/papa-leao-xiv-alerta-que-economia-injusta-ameaca-a-paz-mundial/
- https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-11/catequese-leao-economia-e-politica-a-servico-da-dignidade-humana.html
- https://www.usccb.org/news/2026/pope-warns-economic-inequality-threatens-peace-urges-politicians-serve-common-good
- https://www.osvnews.com/full-text-pope-leo-xivs-general-audience-given-november-4-2026/