Kunsthalle Bremen reúne 120 obras para contar a trajetória do dachshund

Kunsthalle Bremen reúne 120 obras para contar a trajetória do dachshund

Aberta em 31 de outubro, mostra na cidade alemã inclui pintura, fotografia, vídeo e instalações pensadas para a interação de cães.

Redação ·

A silhueta comprida do dachshund já saiu há muito tempo dos quintais e das cenas de caça: virou tema de arte, design e disputas sobre identidade alemã. A Kunsthalle Bremen, na Alemanha, abriu em 31 de outubro de 2026 uma exposição que reúne cerca de 120 obras e acompanha essa transformação até 28 de março de 2027.

A mostra, chamada The Dachshund: An Icon off the Leash, reúne pinturas, desenhos, fotografias, vídeos, instalações e performances. A proposta não é só juntar imagens de um cachorro popular: é observar como a raça passou de animal de trabalho a figura reconhecível da cultura visual. Há trabalhos de artistas como Pablo Picasso, Andy Warhol e David Hockney, além de objetos de cultura popular e design.

Do trabalho no campo à vida cultural

O dachshund surgiu na Alemanha há mais de 300 anos, criado para entrar em tocas e caçar texugos e outros animais. Seu corpo baixo e alongado, que hoje parece quase um desenho pronto para virar personagem, tinha uma função prática. A mostra usa esse ponto de partida para percorrer a mudança de papel do cão: de caçador para companheiro doméstico e, depois, modelo de artistas e símbolo popular.

Um dos casos mais conhecidos é o de Lump, o dachshund que viveu com Picasso. O pintor o retratou em cerâmica e incluiu o animal em obras inspiradas em Las Meninas, de Diego Velázquez. A exposição apresenta esse episódio ao lado de outras formas de representação, da pintura à fotografia e ao vídeo, para mostrar como uma mesma raça atravessou estilos e épocas.

Um visitante diferente no museu

A Kunsthalle também leva a experiência para além das paredes. Segundo a apresentação da mostra e relatos sobre a abertura, há salas que recebem cães pequenos e instalações concebidas para que os próprios animais possam interagir com o ambiente. A programação inclui ainda performances voltadas a esse público de quatro patas.

Esse formato muda um pouco a lógica da visita: o dachshund não aparece apenas como imagem observada pelo público, mas também como presença dentro do espaço expositivo. A mostra inclui, por exemplo, Toxie Love, instalação do artista Thorsten Brinkmann, além de brinquedos e peças de design que ampliam o percurso para além da arte tradicional.

O que a raça representa na Alemanha

A exposição também aborda o peso simbólico do dachshund. A raça aparece ligada a momentos distintos da história alemã, e sua imagem foi usada tanto em representações políticas quanto como emblema de um país que queria se apresentar de outra forma no pós-guerra. Waldi, mascote dos Jogos Olímpicos de Munique de 1972, ajudou a associar o cão a uma imagem mais leve e colorida da Alemanha.

Esse significado não é fixo. A mostra observa que grupos políticos podem tentar se apropriar de símbolos nacionais e que a imagem simpática do animal convive com usos ideológicos. Ao mesmo tempo, a curadoria aposta no humor e no afeto que muita gente projeta no dachshund — uma combinação que ajuda a explicar por que ele continua aparecendo em obras e objetos cotidianos.

Com curadoria de Annett Reckert, a exposição segue aberta na Kunsthalle Bremen até 28 de março de 2027. Para quem visita a cidade, a programação transforma um cão conhecido em fio condutor para olhar a arte, a história e a cultura visual alemãs por um ângulo pouco convencional.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.terra.com.br/diversao/cao-salsichinha-um-simbolo-alemao-que-virou-icone-cultural,c05adaf881180e70993c32379ec7a2d7kyya2ln8.html
  2. https://kunsthalle-bremen.de/en/exhibitions/the-dachshund-an-icon-off-the-leash
  3. https://www.dw.com/en/the-dachshund-a-humorous-icon-with-political-symbolism/a-79640191
  4. https://apnews.com/article/germany-dachshund-sausage-dog-art-exhibition-bremen-1bcc97222bd6a9ba424e8cf9d92d703f