Quase R$ 90 bilhões em juros empurram dívida federal a R$ 9,38 trilhões

Quase R$ 90 bilhões em juros empurram dívida federal a R$ 9,38 trilhões

O Tesouro Nacional atribui a maior parte da alta mensal aos juros; as estatais federais somaram déficit de R$ 8,5 bilhões até setembro.

Redação ·

Em setembro, os juros explicaram quase todo o aumento da dívida pública federal: foram R$ 89,46 bilhões dos R$ 90,22 bilhões acrescidos ao estoque no mês. O Tesouro Nacional divulgou os números nesta quinta-feira, 29 de outubro; ao fim do período, a dívida somava R$ 9,38 trilhões, alta de 0,97% ante agosto.

A emissão líquida de títulos teve peso pequeno nessa conta. O governo emitiu R$ 189,44 bilhões em papéis e resgatou R$ 188,67 bilhões, uma diferença positiva de apenas R$ 760 milhões. Na prática, o principal impulso da expansão veio da incorporação de juros sobre a dívida já existente.

O que a composição revela

A maior fatia está dentro do país. A dívida mobiliária interna avançou 1,04% no mês, para R$ 9,04 trilhões. Já a parcela externa recuou 0,82% e fechou setembro em R$ 345,41 bilhões. Essa composição ajuda a entender por que as condições de financiamento domésticas são tão importantes para a trajetória do estoque.

Outro dado que merece atenção é o custo médio da dívida federal, que subiu de 12,59% ao ano em agosto para 12,63% em setembro. Também cresceu a parcela com vencimento nos 12 meses seguintes: de 16,39% para 19,95%. Isso não significa que todo esse valor terá de ser pago com recursos disponíveis imediatamente; parte pode ser refinanciada com novas emissões. Mas mostra o tamanho da conta que o Tesouro terá de administrar no curto prazo.

A dívida bruta do governo geral — medida mais ampla, que inclui União, INSS, estados e municípios — ficou em 82,9% do Produto Interno Bruto, ou R$ 11,1 trilhões. O indicador não subiu em setembro ante agosto, mas acumulou aumento de 4,3 pontos percentuais do PIB em 2026. Como proporção da economia, ele permite comparar a dívida com o tamanho da atividade econômica, embora não represente sozinho o custo ou a capacidade de pagamento do governo.

Estatais no vermelho, com ressalvas

As empresas estatais federais registraram déficit de R$ 8,5 bilhões de janeiro a setembro. O resultado supera os R$ 6,3 bilhões observados no mesmo intervalo de 2025 e já ultrapassa o recorde anual anterior, de R$ 6,73 bilhões, anotado em 2024. A série do Banco Central começa em 2002.

Esse número não inclui Petrobras, Eletrobras nem bancos públicos. Entre as empresas consideradas estão Correios, Infraero, Serpro, Dataprev e Casa da Moeda. Também é importante separar as medidas: o déficit das estatais é um resultado acumulado de receitas e despesas no período; a dívida federal é um estoque de obrigações. Um dado não deve ser somado diretamente ao outro.

No conjunto do setor público, setembro terminou com déficit primário de R$ 5,5 bilhões, menor que os R$ 17,5 bilhões negativos registrados no mesmo mês de 2025. O resultado inclui União, estados, municípios e estatais, mas deixa de fora os juros da dívida. O governo central teve superávit de R$ 3,5 bilhões, enquanto estados e municípios ficaram no vermelho em R$ 5,6 bilhões.

Por que os juros pesam tanto

Quando o Tesouro incorpora juros ao saldo devedor, o estoque pode crescer mesmo que as emissões líquidas daquele mês sejam pequenas. O efeito depende do volume acumulado de títulos e do custo associado a eles. Por isso, olhar apenas o déficit primário não conta toda a história: o gasto com juros também influencia a evolução do endividamento.

Para quem acompanha a economia, a combinação importa porque a dívida precisa ser financiada e refinanciada continuamente. O relatório de setembro mostra uma pressão concentrada nos juros e uma parcela maior vencendo no próximo ano, enquanto o déficit das estatais alcança um nível inédito na série. Os próximos relatórios do Tesouro e do Banco Central dirão se esses movimentos foram pontuais ou continuaram nos meses seguintes.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.gazetadopovo.com.br/economia/divida-publica-federal-chega-a-r-938-trilhoes-rombo-das-estatais-bate-recorde/
  2. https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/divida-publica-federal-sobe-097-e-chega-a-r-938-trilhoes-em-setembro/
  3. https://www.poder360.com.br/poder-economia/custo-da-divida-publica-sobe-para-1263-ao-ano-em-setembro/
  4. https://www.poder360.com.br/poder-economia/divida-publica-cresce-r-7479-bilhoes-em-2026-diz-tesouro/