Da participação ao controle: Itaú assume NeoSpace em negócio de R$ 2,925 bilhões
A operação transforma uma relação iniciada em 2025 e depende de aval do Cade e do Banco Central antes de ser concluída.
Redação ·
O Itaú Unibanco assinou nesta segunda-feira, 26 de outubro, um acordo para assumir todas as ações da NeoSpace, empresa brasileira que desenvolve modelos de inteligência artificial voltados a dados. Avaliada em R$ 2,925 bilhões, a transação amplia a aposta do banco em tecnologia própria, mas ainda precisa cumprir condições regulatórias para ser concluída.
De investidor a controlador
A movimentação dá sequência a uma relação iniciada em janeiro de 2025, quando o Itaú comprou 15% da NeoSpace. Na ocasião, o banco informou que investiria US$ 15 milhões em uma rodada de financiamento estimada em US$ 18 milhões e firmaria uma parceria comercial para aplicar a tecnologia da startup em serviços financeiros.
O acordo atual muda a escala dessa colaboração: em vez de manter apenas uma participação minoritária, o Itaú pretende adquirir a totalidade do capital. A compra, portanto, reúne sob o mesmo grupo a capacidade de pesquisa da NeoSpace e as áreas do banco que podem transformar esses modelos em produtos e processos.
Aplicações que já estavam no radar
As duas empresas vinham trabalhando com inteligência artificial generativa em frentes como crédito, gestão financeira, atendimento e prevenção a fraudes. A tecnologia também deve contribuir para o ia.i, plataforma generativa do Itaú, com possibilidades de adaptar orientações e ofertas ao perfil de cada cliente.
Na prática, modelos que identificam padrões em grandes conjuntos de dados podem apoiar análises e automatizar tarefas. Isso não significa, por si só, que decisões financeiras passarão a ser tomadas sem supervisão humana ou que os serviços mudarão imediatamente: os detalhes de implantação, os controles e o ritmo de adoção não foram divulgados no anúncio consultado.
Autonomia preservada, fechamento pendente
Apesar da aquisição integral prevista, a NeoSpace deverá continuar com operação e gestão próprias, sob a liderança de Bruno Pierobon, que permanecerá como CEO. A manutenção da equipe e das atividades de pesquisa e desenvolvimento indica que o banco pretende preservar a estrutura especializada da empresa enquanto amplia seu acesso à tecnologia.
O contrato não equivale ainda à conclusão da compra. O fechamento depende, entre outras condições, da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central. Até que essas etapas sejam cumpridas, o controle permanece sujeito ao processo regulatório; não há confirmação de que os órgãos já tenham autorizado a operação.
O que está em jogo para clientes e mercado
Para o Itaú, internalizar uma empresa focada em modelos fundacionais pode reduzir a dependência de soluções externas e acelerar o desenvolvimento de ferramentas ajustadas ao setor financeiro. Para os clientes, o efeito possível está em serviços mais personalizados, análises de crédito mais adaptadas e interações digitais aprimoradas — resultados que dependem de como e quando os recursos serão lançados.
A transação também mostra como bancos buscam incorporar competências de inteligência artificial por meio de parcerias que podem evoluir para aquisições. O desafio será converter o investimento em melhorias concretas sem perder de vista a qualidade das decisões, a proteção de dados e a transparência no uso de sistemas automatizados. O anúncio não detalha cronograma de integração nem mudanças imediatas para correntistas.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://convergenciadigital.com.br/mercado/itau-compra-startup-nacional-de-inteligencia-artificial-por-r-2925-bilhoes/
- https://www.itau.com.br/media/dam/m/238dac3ef419c855/original/28-01-2025-Itau-Unibanco-adquire-participacao-na-NeoSpace.pdf
- https://www.estadao.com.br/economia/itau-unibanco-anuncia-compra-da-startup-ia-neospace-npr/
- https://www.reuters.com/latam/negocio/OH7AYM4KT5KEPOCQMJU7T7QWXQ-2026-10-26/