Disputa pelo voto árabe leva Israel a apurar suspeita de dinheiro estrangeiro
Com 19 cadeiras atribuídas a partidos árabes na apuração parcial, a investigação pode influenciar o debate sobre a formação do próximo governo.
Redação ·
A autoridade eleitoral de Israel pediu uma investigação de segurança sobre possível interferência estrangeira na eleição parlamentar de 27 de outubro. O pedido, feito em 29 de outubro pelo juiz Noam Sohlberg ao Shin Bet, ocorre enquanto a apuração ainda está em andamento e a disputa por uma maioria no Knesset segue aberta.
O foco não é uma acusação comprovada contra o Catar. A hipótese de dinheiro catariano apareceu em relatos da imprensa israelense; a carta de Sohlberg, segundo as informações divulgadas, fala em suspeita de envolvimento estrangeiro sem apontar publicamente o país como responsável.
O que se sabe — e o que ainda é alegação
Sohlberg, presidente da Comissão Eleitoral Central, pediu ao chefe do Shin Bet, David Zini, que examine denúncias de possível influência externa. A justificativa é verificar se houve pressão, financiamento irregular ou tentativa de interferir na liberdade de escolha dos eleitores. A apuração deve separar evidências verificáveis de acusações políticas feitas durante uma eleição disputada.
O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmou ter entregue às autoridades depoimentos e materiais sobre supostas irregularidades. Entre as alegações divulgadas estão envelopes com dinheiro e cédulas do partido árabe Raam. A polícia israelense, porém, contestou a versão: disse não ter encontrado provas que a sustentassem e descreveu o pleito como marcado por poucos incidentes capazes de afetar sua integridade.
O Catar negou envolvimento. Até o momento, não há confirmação pública de que o governo catariano tenha financiado partidos árabes, nem de que as suspeitas tenham sido comprovadas. Essa distinção importa: a abertura de uma investigação significa que as autoridades vão verificar as denúncias, não que tenham concluído que houve fraude ou interferência.
Por que a disputa eleitoral pesa
Com 91% dos votos apurados, segundo os dados citados na cobertura, a coalizão de Netanyahu somava 53 cadeiras e o bloco oposicionista liderado por Gadi Eisenkot, 48. Os partidos que representam cidadãos árabes de Israel reuniam 19 assentos. Para formar um governo com maioria no Knesset, são necessárias 61 cadeiras.
Nesse cenário, a força dos partidos árabes pode ser decisiva nas negociações para compor uma coalizão. Isso ajuda a explicar por que denúncias envolvendo participação eleitoral ganharam peso político, mas não serve como prova de que os votos ou os partidos tenham sido manipulados.
A investigação também se desenrola num momento em que o resultado final ainda pode alterar as conversas entre os blocos. Depois de concluída a apuração, o presidente Isaac Herzog deverá encarregar um representante de tentar formar governo. Se nenhum grupo conseguir reunir apoio suficiente, seguem no horizonte a formação de um governo minoritário, uma coalizão com partidos do outro bloco ou a convocação de novas eleições.
O que vem agora
O Shin Bet terá de avaliar a origem das denúncias e se há elementos que justifiquem medidas adicionais. Até que apareçam conclusões oficiais, as alegações devem ser tratadas como suspeitas. O resultado da investigação poderá esclarecer se houve tentativa de interferência, mas, por si só, não resolve o impasse parlamentar.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/comissao-israel-pede-seja-investigado-financiamento-catar-ajudar-partidos-arabes-eleicao/
- https://www.timesofisrael.com/election-committee-chief-instructs-shin-bet-to-probe-suspicion-of-foreign-influence-on-vote/
- https://www.abc.net.au/news/2026-10-29/israel-election-foreign-interference-allegations-investigation/107325606
- https://www.ksat.com/news/world/2026/10/29/israelis-await-final-election-results-as-difficult-choices-lie-ahead/
- https://www.thenationalnews.com/news/mena/2026/10/29/netanyahu-casts-doubt-on-validity-of-record-arab-vote/