Ipsos mede a distância entre planos de família e segurança material no Brasil
No levantamento Life Aspirations 2026, casa própria e emprego estável foram citados por 67% e 66% dos brasileiros, respectivamente.
Redação ·
Entre os jovens brasileiros, um animal de estimação é mencionado como sinal de realização com mais frequência do que ter filhos. Mas a pesquisa Life Aspirations 2026, divulgada pela Ipsos em 29 de outubro, também aponta outra diferença importante: casa própria e emprego estável estão muito mais associados a uma vida bem-sucedida no país do que casamento ou filhos.
O levantamento ouviu mais de 22 mil pessoas em 30 países, incluindo mil brasileiros. Como os entrevistados podiam escolher várias opções, os percentuais medem associações com sucesso pessoal — não uma escolha exclusiva entre ter filhos ou um pet.
O que os números mostram entre os jovens
No recorte da geração Z, pets foram citados por 24% dos brasileiros, contra 19% que mencionaram filhos. Entre os millennials, a diferença foi maior: 29% para animais de estimação e 18% para filhos.
O retrato muda quando todas as idades entram na conta. No Brasil, filhos receberam 23% das menções e pets, 21%. Casamento ficou em 25%. Já a casa própria e o emprego estável lideraram com 67% e 66%, respectivamente. Em outras palavras, o dado não indica que a população em geral trocou a ideia de formar família pela de ter um animal; mostra que, entre os grupos mais jovens, pets aparecem mais ligados à ideia de sucesso do que filhos.
Planos continuam, mas parecem mais difíceis
A Ipsos também perguntou a jovens da geração Z que ainda não alcançaram certas metas como se sentiriam se nunca as realizassem. No Brasil, 56% disseram que ficariam tristes se não tivessem um emprego estável e 54% se nunca comprassem a própria casa.
A leitura proposta pela pesquisa é que as aspirações tradicionais continuam presentes, embora muitos jovens não estejam seguros de que conseguirão concretizá-las. Isso ajuda a entender por que uma preferência declarada em uma pergunta sobre sucesso não deve ser confundida com rejeição à parentalidade: são questões diferentes, e o levantamento não demonstra que uma cause a outra.
A pesquisa também encontrou diferenças de gênero no país. Homens associaram casamento ao sucesso com frequência oito pontos percentuais maior que mulheres; para ter filhos, a distância foi de sete pontos. No panorama internacional, filhos marcaram 31%, casamento 25% e pets 16%, enquanto emprego estável (65%) e casa própria (58%) ficaram no topo.
Um país onde os pets já têm grande presença
O resultado aparece num contexto em que os animais de estimação ocupam espaço expressivo na vida e na economia brasileiras. Estimativas do setor variam conforme a fonte e a forma de contabilizar espécies: uma apresentação do Instituto Pet Brasil citada em documento público aponta 160,9 milhões de animais em 2024; outra compilação setorial trabalha com 170 milhões em 2025. Os números não são diretamente comparáveis sem considerar a metodologia.
O mercado também tem peso econômico: dados da Abinpet citados em reportagem do JC/UOL estimaram faturamento de R$ 75,4 bilhões em 2024. Esse cenário ajuda a dimensionar a presença dos pets, mas não explica sozinho as respostas dos jovens. A pesquisa da Ipsos registra percepções; não prova que custos de moradia, criação de filhos ou cuidados veterinários tenham determinado as escolhas.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/pet-supera-filho-simbolo-sucesso-entre-jovens-brasileiros/
- https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/documentos/camaras-setoriais/animais-e-estimacao/2025/44a-ro-30-10-2025/release-projecao-2025-setor-pet.pdf
- https://jc.uol.com.br/meu-pet/2025/09/02/setor-pet-e-um-dos-mais-fortes-da-economia-brasileira-e-continua-em-expansao-confira-os-detalhes.html