83,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em junho, aponta FGV
No mesmo mês, o comprometimento da renda familiar chegou a 28,9%, e o rotativo do cartão cobrava juros de 442% ao ano, segundo levantamento da instituição.
Redação ·
Em junho de 2026, 83,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, segundo análise da Fundação Getulio Vargas (FGV). No mesmo levantamento, o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 28,9%, enquanto os juros do crédito rotativo do cartão alcançaram 442% ao ano. Os números ajudam a entender por que uma dívida contratada para cobrir outra pode apertar ainda mais o orçamento.
A análise da FGV foi publicada em setembro e atualizada em 30 de outubro. Os dados são de junho: não representam uma contagem feita nesta semana, mas oferecem um retrato recente do peso das dívidas e do custo de algumas modalidades de crédito.
Quando o crédito vira mais uma conta
O Banco Central alerta, em material de educação financeira atualizado em agosto, que o crédito fácil pode incentivar compras parceladas em excesso e comprometer as finanças da família. O risco aparece quando empréstimos, parcelas e limites disponíveis passam a ser tratados como se fossem renda. O dinheiro emprestado antecipa uma compra, mas também traz uma obrigação de pagamento para os meses seguintes.
Esse mecanismo está no centro de um artigo de opinião publicado nesta terça-feira, 3 de novembro, na Gazeta do Povo. Luiz Fernando Zanqueta, head financeiro da Bravo, argumenta que recorrer a um novo empréstimo para pagar uma dívida antiga pode apenas trocar o compromisso de lugar — e acrescentar juros, prazo ou outra parcela. A publicação também defende que renegociar pode ajudar a reorganizar as contas, desde que o consumidor examine o conjunto das dívidas e avalie quanto cabe no orçamento.
A ideia não é que todo crédito seja prejudicial. O ponto prático é distinguir o limite aprovado do dinheiro que efetivamente entra no mês. A taxa do rotativo citada pela FGV mostra por que essa diferença importa: quando uma fatura não é paga integralmente, o saldo pode ficar sujeito a um custo elevado. Antes de aceitar uma nova oferta, vale conferir o custo total, a parcela e o impacto das dívidas já existentes.
O que observar numa renegociação
Reunir os saldos de todas as instituições ajuda a enxergar o tamanho da obrigação, em vez de olhar cada parcela isoladamente. Também é importante comparar juros e custo total entre propostas. Uma prestação menor, por si só, não garante que a dívida ficou mais barata: o prazo pode ser maior, e o total pago pode subir.
O material do Banco Central recomenda planejamento e acompanhamento das despesas como parte da gestão financeira. Já a FGV dimensiona o cenário com números de inadimplência, comprometimento de renda e juros. Em conjunto, eles ajudam a colocar a conversa sobre crédito em termos concretos: não basta saber quanto é possível contratar; é preciso avaliar o que será possível pagar sem comprometer as despesas seguintes.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/como-o-credito-facil-pode-empurrar-o-consumidor-para-um-ciclo-de-dividas/
- https://eaesp.fgv.br/centros/centro-estudos-microfinancas-e-inclusao-financeira/publicacoes/limites-ao-endividamento-no
- https://www.bcb.gov.br/content/cidadaniafinanceira/documentos_cidadania/Cuidando_do_seu_dinheiro_Gestao_de_Financas_Pessoais/v4_modulo_3_caderno_educacao_financeira_430206_2026.pdf
- https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2026/04/13/bc-ve-problema-crescente-de-superendividamento-e-aponta-disparada-em-emprestimos-sem-garantia-e-cartao-de-credito.htm