Impasse no Knesset pode prolongar incerteza política após eleição em Israel

Impasse no Knesset pode prolongar incerteza política após eleição em Israel

Pesquisas de 25 de outubro põem o Yashar de Gadi Eisenkot à frente do Likud, mas nenhum bloco se aproxima dos 61 assentos necessários para governar.

Redação ·

A votação legislativa marcada para terça-feira, 27 de outubro, pode não encerrar a disputa pelo poder em Israel. Pesquisas divulgadas na reta final da campanha mostram o partido Yashar, liderado pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, à frente do Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, mas apontam que nenhum campo reúne, por enquanto, apoio suficiente para formar uma maioria no Knesset.

O resultado importa além da troca — ou permanência — do premiê: a composição do Parlamento definirá quais alianças serão possíveis e influenciará decisões sobre segurança, serviço militar, Judiciário e relações externas. A votação é a primeira eleição nacional desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023.

A maioria depende de acordos entre partidos

Os eleitores escolhem listas partidárias para preencher as 120 cadeiras do Knesset; não votam diretamente para primeiro-ministro. Para governar, um candidato precisa reunir apoio de pelo menos 61 parlamentares, o que torna decisivas as negociações entre partidos depois da apuração.

Levantamentos publicados nos últimos dias indicavam o Yashar com vantagem sobre o Likud, mas as projeções deixavam os dois campos aquém da maioria. Uma média de pesquisas citada pela imprensa israelense apontava diferença de cerca de 4,5 cadeiras entre os blocos principais. Esse cenário deixa espaço para que legendas menores tenham influência desproporcional na formação do próximo governo.

A guerra e a segurança dominam a campanha

A ofensiva de 2023 e os conflitos que se seguiram mantiveram a segurança nacional no centro da disputa. Eisenkot, que comandou as Forças Armadas entre 2015 e 2019, fez campanha com críticas à condução do governo e defendeu mudanças institucionais. Netanyahu, no poder desde 2022 em seu atual mandato, apresentou sua atuação militar como parte central de sua resposta aos eleitores.

A cobrança por uma investigação independente sobre as falhas que antecederam os ataques também divide o debate. O tema não é apenas retrospectivo: para muitos eleitores, envolve responsabilidade política, confiança nas instituições e a capacidade do Estado de prevenir novas ameaças.

Serviço militar e Judiciário também pesam

Outro ponto sensível é a isenção do serviço militar para estudantes ultraortodoxos. Partidos religiosos aliados de Netanyahu defendem a manutenção do benefício; Eisenkot prometeu encerrá-lo. A controvérsia ganhou peso após anos de mobilização de reservistas e pode afetar a estabilidade de qualquer coalizão que dependa dessas legendas.

A reforma do Judiciário, que provocou protestos em 2023, continua a separar os campos políticos. Netanyahu sustenta que mudanças são necessárias para limitar o poder de juízes não eleitos; adversários temem que as propostas enfraqueçam a independência judicial. Uma coalizão frágil pode ter dificuldade para avançar em qualquer uma dessas agendas.

O resultado pode abrir uma longa negociação

As urnas devem ficar abertas das 7h às 22h no horário local. Mesmo depois da divulgação das primeiras projeções, a contagem das cadeiras não garante que um governo será formado rapidamente. Se nenhum grupo conseguir reunir 61 parlamentares, negociações entre partidos podem se estender e manter Netanyahu como chefe de um governo interino enquanto se busca uma solução — ou até levar a uma nova eleição.

A campanha também teve repercussão em Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio a Netanyahu, enquanto Eisenkot afirmou que a escolha cabe aos eleitores israelenses. O posicionamento reforça o interesse externo no resultado, sobretudo diante das discussões de segurança regional. Para os israelenses, porém, o primeiro teste será saber se o voto produz uma maioria governável ou prolonga o impasse.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/israel-vai-as-urnas-em-primeira-eleicao-desde-os-ataques-terroristas-do-hamas/
  2. https://www.cnn.com/2026/10/25/middleeast/israel-election-2026-whats-at-stake-intl?iid=cnn_buildContentRecirc_end_recirc
  3. https://www.jpost.com/israel-election-2026/article-912743
  4. https://www.npr.org/2026/10/25/g-s1-149563/israel-election-war-netanyahu
  5. https://www.dw.com/en/2026-israel-election/t-79742818