Extremos do IDH dividiram o mapa municipal entre Lula e Flávio
Em Melgaço, município com índice de 0,418, Lula recebeu 66,83%; em São Caetano do Sul, com 0,862, Flávio Bolsonaro obteve 58,33%.
Redação ·
A votação presidencial de 25 de outubro desenhou contrastes entre municípios de diferentes níveis de desenvolvimento: nos dez com menor IDH, Lula teve média de 69,6%; nas dez cidades mais bem posicionadas no índice, Flávio Bolsonaro venceu com média de 59,7%. Os percentuais mostram como o resultado variou entre esses dois grupos, mas não explicam, por si só, o que levou cada eleitor a escolher seu candidato.
Dois grupos, dois padrões de votação
A comparação reúne os dez municípios classificados com menor IDH e os dez com maior índice. No primeiro conjunto, Lula somou, em média, 69,6% dos votos válidos, enquanto Flávio ficou com 30,4%. No grupo do topo, a relação se inverteu: Flávio alcançou 59,7%, ante 40,3% de Lula.
Os dados municipais permitem observar diferenças territoriais que ficam escondidas quando o resultado é apresentado apenas em escala nacional. Ainda assim, médias de dez cidades não representam todos os municípios de baixa ou alta renda, nem demonstram uma relação direta de causa e efeito entre desenvolvimento e voto.
Melgaço e Atalaia do Norte mostram a realidade local
Melgaço, no Pará, aparece com o menor índice citado, 0,418. No segundo turno, Lula recebeu 66,83% dos votos válidos no município e Flávio, 33,17%. O rendimento médio informado para trabalhadores ocupados era de meio salário mínimo, um dado que ajuda a dimensionar as condições econômicas locais, mas não resume a situação de todos os moradores.
Em Atalaia do Norte, no Amazonas, Lula teve 77,81% e Flávio, 22,19%. A cidade tem cerca de 16 mil habitantes; aproximadamente 75% das famílias são beneficiárias do Bolsa Família, e havia menos de 1,9 mil pessoas em empregos formais, segundo os dados citados no levantamento. Esses indicadores descrevem um contexto social específico, não as motivações individuais de quem votou.
No topo, resultados também variam entre cidades
Entre os municípios de maior IDH, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, registrou a maior vantagem de Flávio entre os exemplos apresentados: 74,15%, contra 25,85% para Lula. O índice local é 0,845. Já São Caetano do Sul, no ABC paulista, tem o maior valor citado, 0,862; Flávio recebeu 58,33% e Lula, 41,67%.
A disputa foi bem mais apertada em Santo André, também no ABC. Flávio venceu por 50,29% a 49,71%, diferença de pouco mais de 2,5 mil votos. A variedade dos placares dentro do próprio grupo reforça que o IDH não funciona como previsão automática do resultado de uma cidade.
O que os números permitem concluir
O Índice de Desenvolvimento Humano reúne dimensões ligadas a renda, educação e longevidade. Cruzá-lo com a votação oferece um retrato territorial útil para discutir desigualdades e comportamento eleitoral, mas não revela sozinho como cada fator influenciou a escolha nas urnas. Para isso, seria necessário analisar outros elementos, como idade, escolaridade, ocupação, participação eleitoral e diferenças entre bairros.
Os resultados oficiais podem ser consultados em bases do Tribunal Superior Eleitoral por município, zona e seção. O cruzamento entre essas informações e indicadores de desenvolvimento precisa considerar também a data e a metodologia de cada base. Assim, os percentuais devem ser lidos como uma comparação entre grupos selecionados — e não como prova de que pobreza ou prosperidade, isoladamente, determinam o voto.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/como-votaram-as-cidades-com-maior-e-menor-idh-no-brasil/
- https://resultados.tse.jus.br/oficial/app/index.html?ref=refind
- https://dadosabertos.tse.jus.br/dataset/resultados-2026
- https://www.tse.jus.br/eleicoes/informacoes-tecnicas-sobre-a-divulgacao-de-resultados