IBGE aponta avanço de jornadas insuficientes mesmo com desemprego em baixa
No terceiro trimestre, 214 mil pessoas passaram a integrar esse grupo; o total, porém, ficou abaixo do registrado um ano antes.
Redação ·
O mercado de trabalho brasileiro combina dois sinais que parecem contraditórios: o desemprego caiu a 5,2%, mas 4,3 milhões de pessoas ocupadas ainda gostariam de trabalhar mais horas e estão disponíveis para isso. O IBGE divulgou os números nesta sexta-feira, 30 de outubro, com dados de julho a setembro de 2026. No trimestre, o grupo cresceu 5,2%, ou 214 mil pessoas, frente aos três meses anteriores.
Estar empregado não conta a história toda
A taxa de desemprego considera quem não está trabalhando, procurou vaga e poderia começar. Quem tem alguma ocupação entra como trabalhador, mesmo que faça poucas horas e queira ampliar a jornada. É por isso que os 4,3 milhões não aparecem como desempregados na taxa de 5,2%.
Para o IBGE, a subocupação por insuficiência de horas reúne pessoas que trabalham menos do que gostariam e estão disponíveis para trabalhar mais. O indicador ajuda a enxergar uma parte da dificuldade que a taxa de desocupação, sozinha, não mostra: ter trabalho não significa necessariamente conseguir a quantidade de horas desejada.
A comparação muda conforme o ponto de partida
O número subiu em relação ao segundo trimestre, mas caiu 5,4% na comparação com julho a setembro de 2025. As duas variações não se anulam: uma mede o movimento mais recente, enquanto a outra compara períodos equivalentes de anos diferentes. Na prática, o contingente aumentou no trimestre, mas segue menor que um ano atrás.
Esse contraste também aparece em divulgações anteriores. No trimestre encerrado em maio de 2025, o IBGE contabilizou 4,7 milhões de pessoas subocupadas por insuficiência de horas, com queda de 9,1% em 12 meses. Em maio de 2026, uma reportagem sobre a divulgação da PNAD registrou 4,1 milhões nessa condição. A série pode oscilar ao longo do ano; por isso, comparar períodos equivalentes costuma dar uma leitura melhor da tendência do que olhar apenas um trimestre.
Desalento e desemprego são medidas diferentes
Outro dado divulgado foi o de pessoas desalentadas: 2,5 milhões no terceiro trimestre, alta de 7,5% em relação ao trimestre anterior e recuo de 6,8% em um ano. São pessoas disponíveis para trabalhar que não procuraram emprego por acreditar que não encontrariam. Como não fizeram busca ativa, elas também ficam fora da taxa oficial de desemprego.
O IBGE apresenta outros indicadores para ampliar esse retrato, incluindo medidas que combinam desocupação, subocupação por horas e pessoas na força de trabalho potencial. Não é correto simplesmente somar todos esses grupos à taxa de 5,2%: cada indicador tem um denominador e critérios próprios. A leitura em conjunto mostra se a queda do desemprego vem acompanhada de melhora também na quantidade de trabalho disponível.
O que observar daqui para frente
A subocupação não informa, por si só, por que cada pessoa trabalha menos horas, nem permite concluir que todo aumento venha de uma piora generalizada. O dado descreve o tamanho do grupo e sua variação; outras informações, como setor, tipo de vínculo e rendimento, ajudam a entender as causas.
Para quem acompanha o emprego, o ponto central é não confundir recorde ou queda na taxa de desemprego com a medida completa da utilização da mão de obra. Neste resultado, o desemprego está baixo, mas milhões de ocupados ainda gostariam de ampliar a jornada. A próxima rodada da PNAD Contínua ajudará a mostrar se o aumento trimestral foi pontual ou se continua.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/economia/subocupacao-4-3-milhoes-trabalham-menos-do-que-gostariam-diz-ibge/
- https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-de-noticias/releases/43832-pnad-continua-taxa-de-desocupacao-e-de-6-2-e-taxa-de-subutilizacao-e-de-14-9-no-trimestre-encerrado-em-maio
- https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/06/26/desemprego-pnad-maio.ghtml
- https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/pnadct/tabelas