Guillermo Elías cobra dos dias de devoção na procissão de Lima
Na celebração de 28 de outubro, o bispo auxiliar de Lima disse que a fé não deve ficar restrita ao cortejo do Senhor dos Milagres.
Redação ·
A procissão do Senhor dos Milagres percorreu Lima na quarta-feira, 28 de outubro, e o bispo auxiliar Guillermo Elías aproveitou a celebração para falar de uma fé que continue para além do cortejo. A festa reuniu devotos no centro da capital peruana, mas a cifra de 9 milhões citada na manchete da notícia original não aparece confirmada como público daquele percurso.
O recado de Guillermo Elías
Durante a missa ligada à procissão, Elías questionou uma devoção limitada à presença física diante da imagem. Em sua homilia, convidou os fiéis a pensar se buscavam apenas os milagres atribuídos ao Cristo ou se queriam também aprofundar a relação com a fé. A mensagem, portanto, não foi um chamado para abandonar a tradição, mas para levar o sentido religioso da celebração para a vida cotidiana.
O bispo também relacionou a reflexão ao Evangelho do dia, que trata da conversa de Jesus com Nicodemos sobre o amor de Deus e a vida eterna. É um enquadramento comum em homilias: a festa popular e a prática religiosa são apresentadas como ponto de partida para uma experiência espiritual mais ampla, não como um objetivo que se encerra quando a procissão termina.
Uma devoção que atravessa séculos
O Senhor dos Milagres, também chamado de Cristo Moreno ou Cristo de Pachacamilla, é uma das expressões religiosas mais conhecidas do Peru. A imagem original é um mural de Jesus crucificado preservado no Santuário das Nazarenas, em Lima. A devoção tem raízes no século XVII, quando comunidades afro-peruanas viviam na região de Pachacamilla.
A tradição ganhou força depois que a parede com a imagem permaneceu de pé após terremotos que atingiram Lima e Callao. Ao longo do tempo, o culto se espalhou pela cidade e passou a ocupar as ruas em outubro, mês central das celebrações. A procissão atual é feita com uma imagem levada em andas; o percurso de 28 de outubro foi o quarto e penúltimo previsto para 2026, com saída do Santuário das Nazarenas e passagem por vias do centro de Lima.
O que se sabe sobre os 9 milhões
A procissão tem grande participação popular, mas isso não basta para transformar qualquer estimativa em contagem comprovada. As informações disponíveis sobre o cortejo de 28 de outubro não apresentam uma medição oficial que confirme 9 milhões de pessoas naquele dia. Também não deixam claro se o número se refere a um único percurso, ao conjunto das atividades de outubro ou a uma estimativa mais ampla da devoção.
Essa distinção importa: público de uma saída, fluxo acumulado de vários dias e número geral de devotos são medidas diferentes. Sem método e período definidos, a cifra não deve ser lida como total confirmado da procissão. O dado verificável é que o cortejo ocorreu e que Guillermo Elías celebrou a missa associada à jornada.
O calendário de 2026 prevê ainda uma última saída em 1º de novembro. Já a fala do bispo, feita no dia central da celebração, deixa uma reflexão que vai além da logística: para Elías, participar da procissão não substitui o compromisso de viver a fé depois que a imagem deixa as ruas.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/bispo-desafia-9-milhoes-de-devotos-participar-da-procissao-nao-basta/
- https://canaln.pe/actualidad/senor-milagros-realiza-su-cuarto-y-penultimo-recorrido-procesional-calles-lima-n495915
- https://www.bnp.gob.pe/bnp-rinde-homenaje-al-senor-de-los-milagros/
- https://www.tvperu.gob.pe/noticias/locales/senor-de-los-milagros-2026-rutas-fechas-horarios-procesion-en-vivo
- https://www.infobae.com/peru/2026/10/16/senor-de-los-milagros-la-historia-del-cristo-moreno-y-el-origen-de-una-de-las-mayores-devociones-del-peru/