Goldwind e Envision fecham contratos enquanto novas obras eólicas perdem ritmo
A Goldwind acertou o fornecimento de 827 MW à Casa dos Ventos e de outros 142 MW à EDF; a Envision tem um contrato de 630 MW.
Redação ·
Fabricantes chinesas estão avançando no Brasil num momento em que o setor eólico perdeu velocidade. Em reportagem publicada nesta sexta-feira, 30 de outubro, a Goldwind, a Envision e a Ming Yang aparecem entre as empresas que conquistaram contratos recentes, enquanto a instalação de novos parques desacelera e os cortes de geração pressionam os negócios.
O contraste é forte: o Brasil acrescentou 657 megawatts de capacidade eólica até agora em 2026, segundo os dados citados na reportagem. Foram cerca de 2 gigawatts em 2025, mais de 3 GW em 2024 e acima de 4 GW tanto em 2023 quanto em 2022. Para as fabricantes, disputar pedidos num mercado menor significa convencer compradores de que preço, tecnologia e capacidade de entrega compensam o risco.
Contratos dão escala às recém-chegadas
A Goldwind já fabrica equipamentos em Camaçari, na Bahia, numa unidade comprada da GE. A empresa fechou com a Casa dos Ventos um fornecimento de 827 MW — apontado como o maior contrato da história do setor no país — e acertou mais 142 MW com a EDF. Seu vice-presidente no Brasil afirmou que a companhia responde por cerca de 50% a 55% dos equipamentos atualmente em fabricação para o mercado local.
A Envision entrou no país com um contrato de 630 MW para parques da Casa dos Ventos, usando turbinas importadas da China. A empresa diz que avalia produzir localmente conforme os negócios cresçam. Já a Ming Yang vendeu uma turbina para um projeto da Copel e fechou outro acordo cujos detalhes não foram divulgados.
A presença chinesa não se resume a vender máquinas. A Goldwind pretende transformar a unidade baiana em base de exportação para as Américas e avalia fabricar no Brasil sistemas de armazenamento por baterias, conhecidos como BESS. Envision também conversa com parceiros sobre produção local desses equipamentos. As duas empresas miram os leilões de baterias previstos pelo governo para dezembro.
O freio vem da rede e da oferta
O setor enfrenta um problema que vai além da quantidade de projetos: em alguns momentos, a rede não consegue absorver toda a energia renovável disponível. Os cortes forçados de geração, chamados de curtailment, reduzem a receita das usinas e tornam menos previsível o retorno de novos parques. Isso pode adiar investimentos mesmo em regiões com bons ventos.
A base instalada, porém, continua grande. O Brasil encerrou 2024 com 33,7 GW de potência eólica e 1.103 usinas, de acordo com os dados setoriais da ABEEólica. O relatório anual mais recente da entidade registra 36 GW ao fim de 2025. A expansão acumulada convive, portanto, com uma queda no ritmo de novas adições e com gargalos para escoar a energia produzida.
O que pode mudar nos próximos anos
Fabricantes tradicionais também disputam esse mercado. Vestas, Nordex Acciona e WEG participaram do Brazil Wind Power, evento realizado nesta semana em São Paulo, ao lado das chinesas. A concorrência por preço tende a beneficiar desenvolvedores de parques, mas o custo do equipamento é só uma parte da conta: financiamento, manutenção, disponibilidade de peças e conexão à rede também pesam na decisão.
A Goldwind afirma planejar sua atuação no Brasil para mais de 30 anos. Esse horizonte ajuda a explicar a aposta em fábrica, exportações e baterias apesar da retração recente. Mas a permanência das empresas dependerá de projetos que saiam do papel e de uma rede capaz de acomodar mais geração renovável. Os leilões de dezembro serão um teste para o negócio de armazenamento; não resolvem, por si só, os entraves que hoje limitam a expansão dos parques.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://braziljournal.com/china-ganha-mercado-em-turbinas-eolicas-no-pais
- https://abeeolica.org.br/wp-content/uploads/2026/07/424_ABEEOLICA_BOLETIM-ANUAL-2026_PT_DIGITAL_V3.pdf
- https://abeeolica.org.br/wp-content/uploads/2025/05/424_ABEEOLICA_BOLETIM-ANUAL-DIGITAL-2025_PT_FINAL-1.pdf
- https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-975/topico-847/BEN_S%C3%ADntese_2026_PT.pdf