Três meses de formação preparam a Guarda Suíça para conter riscos no Vaticano
A etapa inicial em Roma passa de um para dois meses, antes do treinamento final com a polícia suíça.
Redação ·
A Guarda Suíça Pontifícia passou a dedicar três meses à preparação de novos recrutas em 2026, um mês a mais do que antes, para fortalecer a atuação na proteção do papa e do Vaticano. A mudança reorganiza a formação entre Roma e a Suíça e dá mais espaço à adaptação à vida no Estado da Cidade do Vaticano, ao preparo físico e às técnicas de contenção e desescalada.
A atualização ocorre num cenário em que intervenções em locais de grande circulação podem ser registradas por celulares e compartilhadas rapidamente. Para a força encarregada da segurança próxima do pontífice, controlar uma situação sem recorrer a força desnecessária é também uma questão de proteção de quem está ao redor e de confiança pública.
Uma etapa maior antes do treinamento policial
A formação, que durava dois meses, agora se estende por três. Os recrutas passam dois meses no Vaticano, em vez de um, e depois seguem para um mês de treinamento com a polícia suíça. Na etapa romana, recebem equipamentos, conhecem a rotina da instituição e estudam italiano, além de se familiarizarem com as regras e o funcionamento do território.
A extensão atende a uma necessidade prática: integrar jovens que chegam de outro país, com uma nova língua e um ambiente institucional específico, antes da fase de instrução policial. O acréscimo de tempo não é apenas uma intensificação física; permite combinar a preparação profissional com a adaptação cotidiana exigida de quem viverá e trabalhará no Vaticano.
Conter sem transformar a intervenção em espetáculo
Na Suíça, o treinamento inclui autodefesa, preparação psicológica, segurança no manuseio de armas e táticas para reduzir a tensão. Os guardas também praticam o Sistema Tático Defensivo Monadnock, que reúne elementos de artes marciais como jiu-jítsu, judô e caratê. O objetivo descrito pela Guarda é interromper uma ameaça com rapidez e controle, não prolongar o confronto.
Técnicas de imobilização do braço ou do pulso são parte dessa abordagem. A escolha da resposta depende da situação: uma interação que começa de maneira aparentemente comum pode mudar de repente, e os agentes precisam avaliar o risco sem perder de vista a presença de visitantes e de outros profissionais de segurança.
A preferência por diálogo e desescalada também aparece em relatos anteriores sobre o trabalho da Guarda. O contato verbal pode resolver episódios antes que evoluam para uma contenção física; quando isso não basta, o treinamento busca reduzir a duração e a intensidade do uso de força.
Segurança, visibilidade e responsabilidade
O papel dos guardas vai além da imagem cerimonial associada aos uniformes coloridos. A Guarda Suíça Pontifícia, fundada em 1506, integra a proteção do Vaticano ao lado do Corpo da Gendarmaria. Seus 135 integrantes prestam juramento de serviço ao pontífice e atuam em pontos de acesso e em ocasiões oficiais, enquanto a segurança de outros espaços, como a Basílica de São Pedro, também envolve equipes próprias.
A exposição nas redes sociais tornou mais visível o modo como agentes lidam com incidentes. Isso não transforma as câmeras no motivo único da mudança, mas aumenta a importância de uma resposta proporcional e compreensível para quem presencia a cena. Uma contenção rápida e controlada pode proteger tanto a segurança imediata quanto a credibilidade da instituição.
O que muda para os novos recrutas
O ciclo mais longo combina ambientação, disciplina, preparo mental e técnicas operacionais. A ampliação não altera a missão central da Guarda, mas dá mais tempo para que os novos integrantes cheguem à etapa policial com maior familiaridade com o ambiente em que atuarão. Num espaço visitado por pessoas de diferentes países e onde o papa participa de eventos públicos, a capacidade de reconhecer riscos e evitar que uma situação escale tem consequências concretas para todos os presentes.
A mudança acompanha uma evolução mais ampla da formação, que vem incorporando defesa pessoal e comunicação como partes complementares da segurança. Para o público, o resultado esperado é uma atuação que proteja o pontífice sem tratar toda abordagem como ameaça e que consiga intervir com firmeza sem recorrer a força excessiva.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/guarda-suica-amplia-treinamento-para-conter-ameacas-sem-brutalidade-diante-das-cameras/
- https://www.usccb.org/news/2024/mightier-sword-words-are-swiss-guards-best-weapon
- https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2018-01/a-guarda-suica-pontificia.html
- https://www.americamagazine.org/features/2026/01/15/the-changing-of-the-swiss-guard/