Flávio Bolsonaro busca comandar oposição à distância após chegar aos EUA
Em carta publicada nesta quarta, o senador contestou o resultado eleitoral e disse que pretende apresentar uma estratégia de mobilização nos próximos dias.
Redação ·
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira, 28 de outubro, e divulgou uma carta em que diz que pretende liderar a oposição brasileira a partir do exterior. O senador do PL afirma que vai se dirigir regularmente aos apoiadores e apresentar, nos próximos dias, uma estratégia de mobilização. O texto também contesta o resultado da eleição e acusa instituições brasileiras de perseguição política — alegações que ele não comprova no documento.
Uma carta revisada em poucas horas
A primeira versão da mensagem trazia uma afirmação ainda mais contundente: Flávio se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois, o texto foi republicado sem esse trecho. Na versão divulgada pela Gazeta do Povo, ele se define como “líder do Brasil” e afirma que assumirá, nos Estados Unidos, uma função de liderança que, segundo ele, parlamentares no país não teriam liberdade para exercer.
A mudança é relevante porque desloca o foco da reivindicação explícita de vitória eleitoral para a tentativa de se colocar à frente da oposição. Ainda assim, a carta mantém acusações contra o Supremo Tribunal Federal, o Tribunal Superior Eleitoral e o governo Lula. Flávio atribui a derrota a uma fraude e fala em perseguição política, mas essas afirmações aparecem como a versão do senador, não como conclusões comprovadas por evidências apresentadas no texto.
A viagem e a decisão judicial
A declaração veio depois de uma viagem cercada por questionamentos. Segundo reportagens publicadas nesta quarta, Flávio e familiares chegaram à região de Miami pela manhã. A saída ocorreu apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que ordenava a entrega dos passaportes e impedia o senador de deixar o Brasil. A Polícia Federal cancelou documentos após o prazo para entrega, e a imprensa noticiou que autoridades investigavam como ele cruzou a fronteira.
Há relatos de que Flávio saiu do Brasil por via terrestre em direção à Argentina e seguiu viagem por outros países. Esses detalhes foram reconstruídos por veículos de imprensa; a carta não descreve a rota. Também circularam informações sobre o documento usado na entrada nos Estados Unidos. Como os relatos disponíveis não são todos iguais quanto a esses pontos, é importante separar o que está confirmado — a chegada aos EUA e a ordem judicial — do que ainda depende de esclarecimento oficial.
O que muda para a oposição
Na carta, Flávio agradece ao presidente argentino Javier Milei, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao povo americano. Ele compara sua situação à de lideranças que atuaram no exterior e pede que apoiadores permaneçam mobilizados por meios que chama de pacíficos e legítimos. Também diz que pretende falar com o público brasileiro com regularidade.
Por enquanto, o documento apresenta uma intenção política, não um plano detalhado: não especifica calendário, estrutura de coordenação ou ações concretas. A eficácia dessa liderança à distância dependerá de adesão de aliados e apoiadores e dos desdobramentos jurídicos no Brasil. A disputa sobre a viagem, os passaportes e as acusações feitas na carta tende a seguir no centro da cobertura política.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/republica/leia-a-integra-da-carta-em-que-flavio-se-declara-lider-do-brasil-e-da-oposicao/
- https://www.bbc.com/portuguese/articles/c617k8y8zw1lo.amp
- https://www.cnnbrasil.com.br/politica/flavio-recua-em-carta-com-teor-golpista-e-se-diz-lider-do-brasil/
- https://cbn.globo.com/politica/noticia/2026/10/28/flavio-bolsonaro-entrou-nos-eua-usando-passaporte-diplomatico-mesmo-apos-ter-sido-cancelado-por-stf.ghtml