Dados das partidas passam a ter uma base integrada no Flamengo
Projeto com BlueShift e Google Cloud organiza estatísticas e desempenho dos atletas; a estrutura também deixa o clube mais preparado para aplicações futuras de IA.
Redação ·
Mais de 3 mil eventos podem acontecer em uma partida de futebol, de passes a finalizações e toques na bola. Para o Flamengo, transformar esse volume em material útil para a comissão técnica é o objetivo de uma nova infraestrutura de dados desenvolvida com a BlueShift e o Google Cloud, apresentada em 30 de outubro de 2026.
A mudança central está em reunir e organizar informações que antes circulavam por fluxos separados. O clube passa a concentrar o ambiente analítico no BigQuery, plataforma de análise de dados do Google, e adota uma arquitetura chamada lakehouse. A proposta é facilitar consultas e cruzamentos entre estatísticas de jogos e indicadores de desempenho dos atletas.
Da coleta à análise, em etapas
Uma estrutura lakehouse combina recursos associados a bancos de dados analíticos e a repositórios capazes de guardar grandes volumes de informação. No projeto divulgado pelo Flamengo, os dados são tratados em camadas: dos registros originais até conjuntos organizados para consulta. Essa separação ajuda a padronizar o caminho entre a coleta e a análise, em vez de obrigar os profissionais a procurar cada informação em sistemas desconectados.
Na prática, a comissão técnica pode comparar indicadores individuais e coletivos, observar mudanças de desempenho e procurar padrões que ajudem a preparar jogos. Também pode usar essas referências ao estudar adversários ou avaliar situações durante uma partida. Os dados dão subsídios; não substituem a leitura dos treinadores nem determinam sozinhos uma escalação ou uma decisão tática.
O que a tecnologia resolve — e o que ainda não faz
O trabalho divulgado também distingue os fluxos de registro dos dados e os de análise. Isso é importante porque armazenar informação e conseguir consultá-la com rapidez são problemas diferentes. Uma base centralizada e organizada pode reduzir etapas manuais e tornar mais consistente a comparação entre partidas, desde que os dados coletados tenham qualidade e sejam interpretados no contexto certo.
O anúncio descreve uma preparação para ampliar o uso de inteligência artificial, mas não detalha uma ferramenta de IA já implantada no futebol do clube, nem um calendário para colocá-la em operação. Portanto, por enquanto, o avanço confirmado é a modernização da base analítica. Ter dados mais acessíveis pode abrir espaço para modelos automatizados no futuro, mas isso depende de implementação e validação — e não significa que uma IA já esteja escolhendo estratégias ou jogadores.
Por que a base importa
O Google Cloud apresenta o lakehouse como uma forma de combinar armazenamento e análise e, em algumas configurações, consultar dados sem precisar duplicá-los entre ambientes. É um contexto técnico útil para entender o tipo de arquitetura citado pelo Flamengo, mas não comprova que todas as funcionalidades descritas pelo provedor estejam ativadas no clube. O escopo divulgado não informa custos, volume total de dados, métricas de resultado ou quais aplicações específicas virão depois.
No futebol profissional, a vantagem potencial está em transformar registros dispersos em comparações que a equipe consiga usar no trabalho cotidiano. A nova base pode tornar esse processo mais organizado e preparar terreno para análises mais avançadas. O efeito esportivo, porém, dependerá da qualidade dos dados, da forma como a comissão técnica os incorpora e dos próximos passos do projeto.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://convergenciadigital.com.br/governo/flamengo-investe-em-inteligencia-de-dados-e-se-prepara-para-usar-inteligencia-artificial/
- https://cloud.google.com/solutions/data-lakehouse?hl=en
- https://docs.cloud.google.com/lakehouse/docs/query-remote-data
- https://cloud.google.com/blog/products/data-analytics/borderless-lakehouse-integrates-with-gemini