Filme 100 Dias leva travessia de Amyr Klink às salas de cinema nesta quinta

Filme 100 Dias leva travessia de Amyr Klink às salas de cinema nesta quinta

Dirigido por Carlos Saldanha e estrelado por Filipe Bragança, o longa recria a jornada de cem dias entre a Namíbia e a Bahia, iniciada em 1984.

Redação ·

A travessia que colocou Amyr Klink sozinho no Atlântico Sul chega às salas de cinema nesta quinta-feira, 29 de outubro, com a estreia de 100 Dias. Dirigido por Carlos Saldanha e estrelado por Filipe Bragança, o longa reconta a expedição de 1984, quando o navegador partiu da Namíbia e alcançou o litoral baiano depois de cerca de cem dias remando.

A adaptação transforma uma jornada real em drama de cinema, com espaço também para os vínculos familiares que cercaram a decisão de Klink. O próprio navegador contou que preferiu não interferir na criação do filme: para ele, o longa é uma obra independente, ainda que tenha ficado impressionado com o cuidado da produção em reconstruir elementos da viagem.

Uma travessia preparada no detalhe

Klink saiu de Lüderitz, na Namíbia, em 12 de junho de 1984, aos 28 anos. Chegou à Praia da Espera, na Bahia, em 18 de setembro. O feito é descrito como a primeira travessia solitária do Atlântico Sul a remo concluída com sucesso. A distância aparece com medidas diferentes conforme a fonte: a biografia oficial de Klink registra 3.700 milhas, enquanto reportagens costumam arredondar o percurso para cerca de 7 mil quilômetros.

O barco, projetado para a expedição com o engenheiro naval José Carlos Belford, precisava equilibrar duas exigências: ser leve o bastante para remar e carregar mantimentos, mas também voltar à posição correta se virasse. Klink relatou ter capotado três vezes perto da costa africana; nas três ocasiões, o mecanismo de autorrecuperação da embarcação funcionou. O planejamento também incluía 275 litros de água e refeições desidratadas, que podiam ser preparadas com água do mar.

Do diário ao livro, e agora ao cinema

Durante a viagem, Klink remava por várias horas ao dia, fazia cálculos de navegação sem GPS e dependia das estrelas para estimar sua posição. As comunicações por rádio eram espaçadas. As anotações daquele período alimentaram Cem dias entre céu e mar, livro que levou a experiência para além do relato de uma façanha náutica e ajudou a tornar a expedição conhecida por leitores que não acompanham navegação.

Para o filme, a equipe também construiu uma réplica navegável do barco, encomendada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Klink disse que reconheceu nela detalhes minuciosos da embarcação original. Filipe Bragança interpreta o navegador; a produção incluiu cenas filmadas em Paraty e em uma piscina montada em São Paulo para simular condições de mar.

O lado pessoal da história

A versão cinematográfica amplia a presença da família, tema que aparece de forma mais breve no livro. Klink contou que saiu sem avisar a maior parte dos parentes: a mãe sabia da viagem e o ajudou a traduzir manuais de sobrevivência. A relação com o pai era difícil, e os dois chegaram a passar um período sem se falar. Segundo o navegador, a reconciliação aconteceu durante a travessia, por meio de uma conversa mediada por radioamadores.

A estreia de 100 Dias põe novamente em circulação uma aventura de mais de quatro décadas atrás. A nova adaptação não muda o que aconteceu no oceano, mas oferece outra porta de entrada para a história: agora, além do livro e dos registros do próprio navegador, o público pode acompanhar a jornada em uma produção de ficção inspirada no percurso real.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://super.abril.com.br/cultura/os-detalhes-da-travessia-a-remo-de-amyr-klink-pelo-atlantico-sul/
  2. https://www.amyrklink.com.br/pt/biografia/
  3. https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/09/18/amyr-klink-comemora-35-anos-da-travessia-do-atlantico-em-um-barco-a-remo-se-fosse-hoje-eu-estaria-no-instagram.ghtml
  4. https://oglobo.globo.com/rioshow/cinema/guia/amyr-klink-conheca-historia-do-navegador-que-inspirou-100-dias-filme-de-carlos-saldanha.ghtml