FIA estuda ampliar punições após ataques contra Pierre Gasly
Mohammed Ben Sulayem atribuiu ao piloto francês cerca de 13 mil ameaças após uma disputa com Franco Colapinto no GP da Espanha.
Redação ·
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) quer envolver equipes, pilotos e organizadores no combate ao assédio digital depois de Pierre Gasly ter sido alvo de ameaças nas redes. O presidente da entidade, Mohammed Ben Sulayem, afirmou que o piloto da Alpine recebeu cerca de 13 mil mensagens ameaçadoras após o GP da Espanha de 2026. A revelação foi feita em entrevista publicada no fim de outubro; o episódio que desencadeou a reação online aconteceu meses antes.
O que aconteceu depois da corrida
A onda de ataques veio após uma disputa entre Gasly e seu companheiro de equipe, Franco Colapinto, nas voltas finais da prova espanhola. A situação envolveu a posição dos dois pilotos na pista e gerou reclamações pelo rádio. Colapinto terminou em sétimo, enquanto Gasly ficou em 12º, segundo a reportagem original.
A reação não ficou restrita ao piloto francês: sua companheira e familiares também teriam recebido mensagens abusivas. Colapinto pediu que os próprios apoiadores parassem com os ataques, e o chefe da Alpine, Flavio Briatore, advertiu que poderia limitar o acesso do argentino à imprensa caso as agressões continuassem.
A cifra de 13 mil foi apresentada por Ben Sulayem como o volume de ameaças contra Gasly. Não foi divulgada, porém, uma auditoria pública com metodologia detalhada que permita verificar de forma independente como o total foi calculado. É um dado atribuído ao presidente da FIA, não uma contagem cuja origem tenha sido aberta ao público.
Como a FIA pretende reagir
Ben Sulayem defendeu punições para quem usar o ambiente da Fórmula 1 para assediar pilotos e outras pessoas da categoria. Entre as medidas mencionadas estão a possibilidade de barrar de eventos espectadores e profissionais da imprensa envolvidos em abusos graves. A FIA também pretende recorrer a ferramentas de inteligência artificial para ajudar a localizar contas, inclusive perfis anônimos.
Isso não significa que a tecnologia, por si só, resolva o problema ou que os autores já tenham sido identificados e punidos neste caso. A proposta depende de como a entidade e as plataformas vão reconhecer ameaças, avaliar cada situação e aplicar consequências. O dirigente também pediu que equipes e pilotos se posicionem contra o comportamento de torcedores, em vez de tratar o assédio como uma questão externa às corridas.
Um problema que vai além de um piloto
A FIA mantém a iniciativa United Against Online Abuse, voltada à conscientização e ao enfrentamento de ataques digitais. A discussão em torno de Gasly dá visibilidade ao tema, mas não prova que a hostilidade esteja ligada a uma torcida específica: o próprio presidente da entidade apontou que outros nomes do automobilismo, incluindo Lewis Hamilton, já foram alvo de ataques.
Para a categoria, o desafio é equilibrar o contato direto que as redes permitem com medidas que protejam pilotos, familiares e profissionais. A pressão de torcedores faz parte do esporte, mas ameaças pessoais ultrapassam a crítica a uma decisão de corrida. O caso também mostra como uma disputa por posições pode ganhar outra dimensão quando a reação online se volta contra pessoas fora da pista.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://ge.globo.com/motor/formula-1/noticia/2026/10/30/gasly-recebeu-13-mil-ameacas-de-morte-apos-incidente-no-gp-da-espanha-diz-presidente-da-fia.ghtml
- https://www.thedrive.com/news/13000-death-threats-in-an-f1-drivers-inbox-fia-president-gets-real-about-the-dark-side-of-fame
- https://www.racefans.net/2026/10/30/sportlight-gasly-received-13000-death-threats-after-spanish-gp-claims-ben-sulayem/
- https://sports.yahoo.com/articles/fia-threatens-ban-fans-media-140000496.html