Falhas em softwares populares viram teste de segurança para modelo interno da Anthropic
Relatório publicado em 27 de outubro descreve testes em Chrome, Safari, Windows e Linux após meses de pesquisa.
Redação ·
Um modelo interno da Anthropic conseguiu encontrar falhas em programas usados no dia a dia e transformar algumas delas em maneiras funcionais de invadi-los. A empresa divulgou os resultados em 27 de outubro, após testes realizados nos meses anteriores. O sistema não foi lançado ao público e não teve seu nome comercial revelado.
O experimento mostra um desafio novo para a segurança digital: modelos de inteligência artificial podem ajudar equipes a localizar problemas, mas também reduzir o trabalho necessário para explorar vulnerabilidades. A Anthropic diz que as demonstrações ocorreram em laboratório; não há indicação de que os ataques descritos tenham sido usados contra usuários.
Quando várias falhas se conectam
O relatório descreve cinco cadeias de exploração em softwares populares, incluindo navegadores e sistemas operacionais. Em vez de parar na identificação de um defeito, o modelo foi capaz, em alguns casos, de combinar vulnerabilidades para chegar a um resultado prático — o tipo de tarefa que costuma exigir conhecimento técnico especializado.
Um dos exemplos envolveu o Chrome: quatro falhas foram encadeadas para escapar do isolamento de segurança do navegador e executar código com os privilégios do usuário. Em uma demonstração num Mac, uma página abriu a Calculadora sem que a pessoa precisasse clicar em nada. A Anthropic também relatou um problema no Safari que poderia permitir que um site malicioso acessasse dados de outras páginas abertas.
No Windows e no Linux, os testes incluíram falhas com potencial para interromper servidores ou permitir acesso remoto com privilégios elevados. Esses exemplos não significam que qualquer usuário esteja automaticamente exposto: o risco depende da falha, da configuração do sistema e de a correção correspondente estar instalada.
O que muda com a IA
Encontrar um bug é só parte do trabalho de segurança. Para avaliar a gravidade, pesquisadores tentam entender se ele pode ser explorado e quais barreiras seriam necessárias para chegar a um sistema real. Automatizar etapas dessa análise pode acelerar a defesa, mas também pode facilitar a criação de ferramentas de ataque por quem não tem a mesma experiência técnica.
A diferença entre o modelo testado e um produto público é importante. A Anthropic descreve o sistema como uma ferramenta interna de pesquisa, e não anunciou que pretende disponibilizá-lo. A empresa afirma que comunicou as vulnerabilidades aos fornecedores e mantenedores responsáveis antes de divulgar o estudo; segundo o relato, as correções foram distribuídas ao longo de 2026.
Uma iniciativa separada para código aberto
A divulgação ocorre enquanto a empresa amplia o uso de seus modelos para encontrar falhas. Em outubro, a Anthropic apresentou um serviço opcional de análise de projetos de código aberto. A companhia informou ter identificado mais de 29 mil vulnerabilidades candidatas e revisado manualmente cerca de 6 mil. São números dessa iniciativa, não do experimento com o modelo interno descrito aqui.
Também é outro trabalho o estudo publicado pela Anthropic em abril sobre o Claude Mythos Preview. Naquele caso, a empresa avaliou capacidades de cibersegurança de um modelo diferente e disse que mais de 99% das vulnerabilidades encontradas ainda não tinham correção na ocasião. A comparação ajuda a entender a direção das pesquisas, mas não permite atribuir ao modelo não lançado deste relatório os resultados do Mythos.
Para usuários e organizações, a consequência mais imediata continua sendo conhecida: instalar atualizações de segurança e manter sistemas e navegadores em dia. A automação pode encurtar o tempo entre a descoberta de uma brecha e sua exploração, mas o estudo também mostra como ferramentas semelhantes podem apoiar quem trabalha para corrigi-la.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.estadao.com.br/tecmundo/ciberseguranca/ia-nao-lancada-pela-anthropic-encontra-falhas-e-cria-codigos-de-invasao/
- https://www.anthropic.com/research/discovering-vulnerabilities-with-claude?date=1
- https://www.anthropic.com/research/launching-opt-in-vuln-finding-service-for-open-source
- https://www.anthropic.com/research/mythos-preview