Três falhas no Pillow colocam em risco serviços Python que tratam imagens

Três falhas no Pillow colocam em risco serviços Python que tratam imagens

As vulnerabilidades receberam nota 9,2 em 10, e a correção está disponível desde 16 de outubro na versão 13.0.0 da biblioteca.

Redação ·

Uma biblioteca usada para abrir, converter e redimensionar imagens pode virar um ponto de entrada para ataques quando serviços Python processam arquivos enviados por usuários. As três vulnerabilidades identificadas no Pillow foram divulgadas nesta semana; duas envolvem corrupção de memória, enquanto uma pode permitir a execução de comandos em determinadas configurações. A versão 13.0.0, lançada em 16 de outubro, corrige os problemas.

O risco depende do caminho usado para processar o arquivo

O Pillow aparece em aplicações que recebem fotos, criam miniaturas e manipulam imagens em serviços digitais. Por isso, a exposição pode atingir sites e sistemas que aceitam conteúdo enviado pelo público, mas a existência da biblioteca, por si só, não significa que qualquer upload permita invadir um servidor.

A falha CVE-2026-112900 está ligada à leitura de arquivos EPS e à interação com o Ghostscript, programa auxiliar usado nesse processamento. A exploração descrita depende de condições específicas, entre elas o controle do nome do arquivo e de argumentos interpretados pelo Ghostscript. Não se trata, portanto, de uma execução automática provocada por qualquer imagem comum.

Três vulnerabilidades, impactos diferentes

As outras duas falhas afetam operações distintas. A CVE-2026-112393 pode causar estouro de memória quando determinadas imagens TIFF são gravadas em um objeto mantido na memória do sistema. Já a CVE-2026-112403 está relacionada ao processamento e à redução de imagens JPEG especialmente preparadas.

Esses erros podem corromper a memória e derrubar processos; dependendo do cenário, também podem abrir caminho para consequências mais graves. As análises disponíveis não demonstram que todas as falhas permitam, isoladamente, assumir o controle de qualquer servidor. A avaliação de risco deve considerar os formatos aceitos e as funções efetivamente usadas por cada aplicação.

A correção e as medidas temporárias

As três vulnerabilidades foram classificadas com pontuação 9,2 em uma escala de gravidade que vai até 10. A orientação principal para equipes técnicas é atualizar o Pillow para a versão 13.0.0 ou posterior e reconstruir os ambientes de execução — inclusive contêineres e pacotes implantados — para garantir que o código corrigido esteja realmente em produção.

Se a atualização não puder ser feita de imediato, administradores devem restringir o processamento de EPS não confiável e avaliar a desativação do Ghostscript em servidores que recebem arquivos públicos. Também é prudente revisar fluxos que criam miniaturas ou gravam TIFF diretamente na memória, além de executar o processamento de imagens com privilégios limitados.

O que empresas e usuários devem observar

Para quem usa um serviço online, não há uma ação universal além de manter sistemas e aplicativos atualizados. A resposta cabe principalmente aos responsáveis pela infraestrutura: localizar versões vulneráveis, identificar quais formatos são processados e confirmar que a correção chegou aos sistemas ativos. Atualizar apenas o arquivo de dependências, sem reconstruir e publicar o ambiente, pode deixar instalações antigas em funcionamento.

Embora a vulnerabilidade de execução de comandos seja grave, as fontes consultadas não confirmaram exploração ativa das três falhas por um grupo chamado Silent Lynx. Essa distinção é importante: o risco técnico justifica correção rápida, mas atribuições de ataques exigem evidências independentes. Para empresas, o episódio também reforça que componentes de código aberto usados em funções aparentemente simples — como gerar uma prévia de imagem — precisam entrar no inventário e no processo regular de atualização.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.estadao.com.br/tecmundo/ciberseguranca/falha-critica-no-python-expoe-servidores-a-invasao-e-execucao-remota-de-codigos/
  2. https://www.ox.security/blog/three-critical-pillow-cves-rce-and-heap-overflows-in-pythons-imaging-library-cve-2026-112900-cve-2026-112393-cve-2026-112403/
  3. https://thehackernews.com/2026/10/critical-flaw-in-python’s-popular-pillow.html
  4. https://pulse.adyog.com/insights/pillow-three-cves-image-upload-risk