Estudo vê barreiras da Microsoft para quem tenta trocar o Edge no Windows

Estudo vê barreiras da Microsoft para quem tenta trocar o Edge no Windows

Relatório encomendado pela Browser Choice Alliance descreve dez práticas em etapas que vão da instalação de outro navegador às atualizações do sistema.

Redação ·

Um relatório de 46 páginas encomendado pela Browser Choice Alliance (BCA) afirma que o Windows cria obstáculos para quem prefere usar um navegador diferente do Edge. O documento, produzido pela Behavioural Insights Team (BIT) e divulgado nesta semana, reúne dez práticas que, segundo seus autores, podem influenciar a escolha do usuário em diferentes momentos de uso do computador.

A discussão não é só sobre qual navegador vem instalado. Ela envolve o quanto uma pessoa consegue manter sua escolha depois de configurar o sistema. As conclusões, porém, são acusações descritas em um estudo solicitado por uma coalizão de empresas do setor — não uma decisão de autoridade que tenha comprovado ilegalidade.

Onde o Windows pode empurrar a escolha

As práticas apontadas aparecem em três etapas. Na instalação de uma alternativa, o relatório menciona anúncios do Edge em buscas por navegadores concorrentes e mudanças de associação que podem exigir ajustes separados para tipos de arquivo, como PDF. Também cita o Modo S do Windows, que limita a instalação de aplicativos fora da Microsoft Store.

Depois, entram situações do uso cotidiano. Segundo o estudo, buscas feitas pela barra do Windows, links em Widgets e notícias exibidas pelo sistema podem abrir no Edge mesmo quando outro navegador está configurado como padrão. A lista inclui ainda links acionados em aplicativos como Outlook e Teams, além de ferramentas de terceiros que tentam redirecionar esses links.

O relatório também alega que o Edge pode abrir automaticamente após o início de sessão e que atualizações importantes do Windows podem apresentar ou restaurar configurações favoráveis ao navegador da Microsoft. A presença desses comportamentos pode variar conforme versão, região e configuração do sistema; as reportagens consultadas não verificam cada caso em todos esses cenários.

O que significa “padrão obscuro”

A expressão “dark pattern” descreve escolhas de interface ou de funcionamento que tornam uma ação mais fácil, mais visível ou mais provável do que outra. Neste caso, a crítica da BCA é que abandonar o Edge poderia exigir mais cliques ou ajustes do que continuar com ele. Isso é diferente de afirmar que o usuário está impedido de instalar outro navegador ou que todo computador apresenta os mesmos obstáculos.

O relatório foi elaborado a pedido da própria coalizão, que reúne desenvolvedores de navegadores concorrentes, entre eles Google, Opera e Vivaldi. Esse vínculo é relevante para entender o debate: o documento apresenta uma avaliação de uma entidade com interesse direto na disputa por usuários. As alegações merecem ser examinadas, mas precisam ser separadas de uma conclusão independente sobre violação de regras.

A disputa vai além do navegador

A escolha do navegador padrão também envolve concorrência em plataformas digitais. O Windows funciona como porta de entrada para buscas, notícias e serviços online; por isso, o modo como links são encaminhados pode influenciar a visibilidade de alternativas. A questão regulatória é se as configurações dão ao usuário uma escolha clara e simples ou se favorecem, na prática, o produto integrado ao sistema.

A cobertura publicada nesta semana descreve a investigação como um exame de diferentes momentos da jornada do usuário: configuração de um computador, primeira abertura do navegador escolhido e instalação de atualizações. A BCA também divulgou uma pesquisa separada com 2 mil adultos nos Estados Unidos que usam computadores com Windows. Esse levantamento trata de experiências e percepções dos participantes; não deve ser confundido com a metodologia do relatório da BIT nem usado, sozinho, para comprovar as dez práticas.

Até a publicação das reportagens consultadas, não havia uma resposta detalhada da Microsoft sobre as acusações. Também não foi localizada uma decisão regulatória que confirme as conclusões do estudo. Por enquanto, o documento amplia a pressão pública por explicações e deixa uma questão prática para quem usa Windows: quando um programa é definido como padrão, essa preferência vale para todos os caminhos do sistema ou apenas para alguns?

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://tecnoblog.net/noticias/microsoft-e-acusada-de-trapacear-para-promover-o-edge/
  2. https://www.neowin.net/reports/new-report-slams-microsoft-for-leveraging-dark-patterns-to-force-people-to-use-edge/
  3. https://www.techspot.com/news/114360-microsoft-tricks-keep-users-edge-detailed-new-report.html
  4. https://betanews.com/article/windows-dark-patterns-edge-browser-choice-study/
  5. https://browserchoicealliance.org/wp-content/uploads/2026/09/User-evidence.pdf